| A comunicação matemática
através de alunos deve merecer mais ênfase na turma, de acordo
com os Padrões de Currículo e Avaliação da NCTM
para a Matemática em Escolas (1989). Dois modos de comunicação
entre alunos são evidentes na turma de matemática, o modo
expressivo e o modo receptivo, tal como identificados por Del Campo e Clements
(1987). A discussão, a escrita, a representação e o
encenar a partir de exemplos da utilização do modo expressivo,
ao mesmo tempo que a conclusão de padrões de mapas e exercícios
preparados pelo professor, são exemplos para utilizar o modo receptivo.
Uma instância da aplicação do modo receptivo seria uma
tentativa de uma criança identificar qual de uma determinada série
de rectângulos sombreados representa ¼ , tal como visto na
figura 1.
A tarefa na figura 1 envolve um reconhecimento simples, ao invés
da criação e reprodução de um resultado utilizando
as próprias palavras e imagens do aluno, tais como quando o aluno
ou desenha um diagrama para representar ¼, ou quando descobre ¼
de um determinado comprimento da fita. Segundo Del Campo e Clements, o
modo receptivo da comunicação dominou as turmas da matemática
e, discutiram mais modo expressivos de comunicação, para
estimular a propriedade e o interesse dos alunos.
Uma das formas para explorar o modo expressivo consiste em ter as crianças
a construírem as suas próprias perguntas (por exemplo, Silverman,
Winograd e Strohauer [1992]; Walter [1988]). Três respostas construídas
por alunos que podem ser utilizadas para promover discussão e redacção
criativa na matemática são as seguintes:
1. Qual é uma pergunta a colocar? (i.e., dadas algumas informações,
construir uma pergunta).
2. Qual é um problema a resolver? (i.e., construção
de um problema verbal a ser respondido por colegas).
3. Que perguntas conexas podem ser feitas? (i.e., fazer perguntas relacionadas
a um dado problema).
QUAL É UMA PERGUNDA A FAZER? Apresente
aos alunos um problema verbal incompleto com todas as informações
necessárias para resolvê-lo, mas sem uma pergunta real. Aqui,
os alunos devem completar um problema, preparando uma pergunta com base
na informação.
EXEMPLO 1: Um colector pretende comprar
uma boneca que custa 20 $, mas tem apenas 12 $. Possíveis perguntas:
Terá o colector dinheiro suficiente
para comprar a boneca?
Quanto mais dinheiro é necessário
para comprar a boneca?
EXEMPLO 2: Três crianças,
Ann, Bert e Amy, partilham uma barra de chocolate. A Ann toma ¼
da barra do chocolate e a Amy toma metade. Perguntas possíveis:
Quem comeu mais?
Que fracção da barra de chocolate
ficou para o Bert?
Quanto é que a Ann e a Amy comeram?
EXEMPLO 3: Um conjunto de uma fita
de 36 cm é utilizado para formar rectângulos de formas diferentes.
Perguntas possíveis:
Quais são as dimensões dos
rectângulos?
Quantos rectângulos podem ser constituídos?
Quais são alguns valores para as áreas
dos rectângulos?
COMENTÁRIOS: A criação
de perguntas deste tipo pode permitir aos alunos ter um sentido de propriedade
e ajuda-os a comunicarem as suas compreensões matemáticas
aos professores e colegas. As perguntas das crianças irão
variar de acordo com as suas anteriores experiências e compreensões
de dadas informações.
O QUE É UM PROBLEMA A RESOLVER?
O professor selecciona um tópico e diz a turma para trabalhar em
grupos a fim de preparar um problema de palavra, juntamente com um método
de solução sobre esse tópico. Mais tarde, os problemas
podem ser resolvidos por elementos de outros grupos. O problema de palavra
é, em seguida, passado ao professor que o edita para melhor leitura,
compila os problemas de palavra dos alunos e os distribui à turma
para serem utilizados como exercícios. Os nomes daqueles que os
prepararam podem ser indicados na "folha de exercício",
mas as soluções não são apresentadas.
EXEMPLOS DE PROBLEMAS DE ALUNOS
1. Haviam 600 balões no círculo. ¼ arrebentaram.
1/3 eram vermelhos. ¼ eram verdes. ¼ eram azuis. Quantos
balões azuis haviam no círculo? (Marissa)
2. Stepheny quer ver a sua cena favorita às 5:30 da tarde. É
uma cena de meia hora. De manhã ela acorda às 10:00 horas.
Chega à arena de gelo uma hora mais tarde. Sai do gelo 2/3 do tempo
de patinagem regular que é de 3 horas. Ela almoça durante
1/3 de uma hora. Depois, vai fazer compras durante 2 vezes o tempo da
patinagem. Leva meia hora para ir à casa a pé. Quanto tempo
da sua cena é que vai observar? (Tanya)
3. Os Jatos de Winnipeg estavam num percurso rodoviário de 4 jogos.
Durante todos os jogos, os Jatos marcaram 24 pontos. Um terço era
contra o Vancouver Canucks, ½ estava com os Sharks, 1/8 estava
com os Nordiques. Quantos marcaram contra os canadianos? (Tommy)
Comentários: Se os alunos
prepararem os problemas para serem apresentados na Sexta feira, então
o professor tem tempo para editar e compilar os problemas de palavras
a serem utilizados como exercícios da turma, na Segunda feira.
Se cinco problemas de palavras são preparados, os alunos podem
ter dois a três períodos para os resolver e apresentar para
os quatro problemas de palavras preparados por outros grupos. Mesmo se
os problemas de palavra tiverem sido ambíguos, ou suficientes,
ou com informações supérfluas, as discussões
geradas por tais perguntas, tanto na preparação como durante
as tentativas inter-grupos de soluções, seriam experiências
valiosas de comunicação e aprendizagem. Os problemas de
palavra podem também reflectir uma gama e uma variedade de interesses
individuais. Encorajar os alunos a apresentarem as suas soluções
em transparências de retroprojectores estimula o interesse e a discussão.
Como uma extensão, os alunos podem ser pedidos a prepararem problemas
de palavras individualmente.
QUE PERGUNTAS CONEXAS PODEM SER FEITAS?
Aos alunos são dados um problema e são exigidos no
sentido de alistarem um número de perguntas relacionadas ao problema.
Um número de perguntas é, então, seleccionada a partir
da lista para mais investigação.
EXEMPLO 1: A média de quatro
números é 10. Quais são alguns eventuais valores
para os números? Eventuais perguntas conexas.
O que é uma média?
Como é que computamos uma média?
São as médias utilizadas na
vida real?
Pode a média de dois números
ser 10?
Pode a média de mais de quatro números
ser 10?
Os números devem ser inteiros?
EXEMPLO 2: Depois de um desconto
de 20 por cento, o preço de uma camisa era de 16 dólares.
Qual era o preço original da camisa? Eventuais perguntas conexas.
Qual é o significado de 20 por cento?
O que é que significa desconto?
Qual é o significado do desconto de
20 por cento?
O preço original era mais ou menos
que 16 dólares?
O que é 20 por cento de 16 dólares?
Como clientes, estaríamos interessados
no preço original da camisa?
EXEMPLO 3: Os numerais 1, 2, 3, 4,
5, 6, 7, 8 e 9 são escritos em cartas, com um numeral em cada carta.
Aliste todas as combinações possíveis de quaisquer
cartas de três numerais que dão um total de 15. Eventuais
perguntas conexas.
Qual é o significado de numeral?
Qual é o significado de soma?
Qual é o significado de todas as combinações
possíveis?
Podiam 5, 5, 5 ser uma solução
possível?
A combinação 4, 5, 6 é
a mesma que 5, 6, 4?
Porque é que a soma devia ser 15?
Comentários: As perguntas conexas não devem ser necessariamente
independentes uma da outra. Aliás, algumas das perguntas podem
ser equivalentes, mas não formuladas de forma diferentes. As perguntas
não devem ser necessariamente em qualquer ordem particular ou ligadas
aos termos: "como fazer", "o que" e "porque".
Porque os alunos devem fazer perguntas, colocar problemas é uma
actividade menos ameaçadora que a solução de problemas.
Na verdade, alguns elementos "pobres" na solução
de problemas podem ser "bons" apresentadores de problemas. A
listagem de perguntas conexas no quadro pode beneficiar os alunos, evocando
mais perguntas. Além do mais, uma tal listagem de perguntas conexas
pode ajudar os alunos na "compreensão do problema", um
aspecto crucial da retórica de solução de problemas
de Pólya (1957). Uma vez alistadas as perguntas, grupos de alunos
podem investigar problemas da sua escolha e ver se essas investigações
podiam levar à solução do problema original. Todas
as três actividades -- listagem, selecção e investigação
de perguntas conexas -- são estimuladas por discussões e,
com efeito, por comunicação matemática.
CONCLUSÃO: Os três tipos
de respostas construídas por alunos, discutidos aqui, indicam como
comunicar a matemática numa turma de matemática, utilizando
o modo expressivo da comunicação. No "O que é
uma pergunta a fazer?" os alunos analisam e sintetizam a informação
dada, e decidem numa pergunta apropriada para a informação.
No "O que é um problema a resolver?", os alunos aplicam
os seus próprios interesses, suas experiências e seus conhecimentos
matemáticos para construírem também a solução
de problemas. No "Que perguntas conexas podem ser feitas?" os
alunos fazem perguntas para esclarecerem o seu entendimento do problema,
investigarem problemas conexos e, eventualmente, encontrar soluções
ao problema original. Assim, todos os três tipos de resposta estimulam
a comunicação na turma da matemática, através
do envolvimento activo dos alunos na capacitação através
da aprendizagem da matemática.
MATERIAL ADICIONAL:
FIGURA 1: Para cada rectângulo, decida se cada parte sombreada
representa um quarto do rectângulo. Circule as partes sombreadas
que representam um quarto. Faça um "X" na parte que não
demonstra um quarto.
REFERÊNCIAS:
Del Campo, Gina, and Ken A. Clements. A Manual for the Professional
Development of Teachers of Beginning Mathematicians. Victoria, Melbourne:
Catholic Education Office of Victoria and Association of Independent Schools
of Victoria, 1987.
National Council of Teachers of Mathematics. Curriculum and Evaluation
Standards for School Mathematics. Reston, Va.: The Council, 1989.
Plya, George. How to Solve It. New York: Anchor-Doubleday, 1957.
Silverman, Fredrick L., Ken Winograd, and Donna Strohauer. "Student-Generated
Story Problems". Arithmetic Teacher 39 (April 1992): 6-12.
Walter, Marion. "Some Roles of Problem Posing in the Learning of
mathematics". In Mathematics, Teacher and Children, edited by David
Pimm, 190-200. Sydney, Australia: Hodder & Stoughton, 1988.
WBN: 9612200445003
AUTOR: Ramakrishnan Menon
Ramakrishnan Menon ensina no Instituto Nacional de Educação,
Singapura 1025. Ele está interessado na língua e matemática
e colabora com professores para promover a numeração e a
aprendizagem significativa da matemática entre as crianças
da escola elementar.
FONTE: Ensinar a Matemática
às Crianças v2 p530-2 My'96: O publicador da revista é
detentor dos direitos de propriedade deste artigo, e este é produzido
com autorização. Mais reprodução deste artigo
em violação dos direitos de autor é proibida.
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