GUIA PRÁTICO À EDUCAÇÃO: CAPÍTULO 4
COMO AS CRIANÇAS APRENDEM E SE COMPORTAM
O ensino requer não só o conhecimento da disciplina, mas também conhecimento de como melhor as crianças irão aprender. É importante recordar-se de que uma criança de seis anos não pensa ou aprende da mesma forma que um rapaz de 16 anos. Eles estão em diferentes níveis de desenvolvimento físico. Estão também em diferentes níveis de desenvolvimento cognitivo e emocional. Muitas turmas irão incluir crianças de diferentes idades, muito embora todos possam estar na mesma classe. O professor deve estar ciente das diferenças entre as crianças da sua turma, e deve utilizar diferentes abordagens de ensino e de técnicas e gestão da turma, ao ajudá-los a aprenderem bem.

4.1: Como aprendem as crianças: Esta secção resume algumas características de crianças em diferentes grupos etários: (1) crianças de tenra idade entre seis e 10 anos; e (2) adolescentes de 11 a 18 anos de idade.

A Criança de Tenra Idade (6 - 10 anos): A aprendizagem deve começar com as experiências da criança com o que ela já sabe. Quando as crianças vão à escola, elas já terão adquirido algum conhecimento - conhecem uma língua, sabem como relacionar com os membros das suas próprias famílias e já sabem muito sobre a sociedade e o mundo que as rodeia. O professor pode determinar que conhecimentos e capacidades as crianças terão já desenvolvido e, em seguida, consolidar isso. Por exemplo, pode encorajar as crianças a falarem sobre as suas vidas e inspirar-se do que já sabem.

Nesta fase, as crianças são capazes de pensar logicamente sobre problemas concretos. Elas tornam-se mais confortáveis em trabalhar com signos tais como números e letras, embora ainda necessitem de várias oportunidades para trabalharem com materiais e objectos reais. Por exemplo, podem aprender a contar mais facilmente quando tiverem folhas e pedras para contar, em vez de o fazer de forma abstracta - nas suas cabeças ou escrevendo números. As crianças nesta idade precisam de muita prática antes de poderem dominar uma capacidade, e esta prática tem que ser espaçada ao longo de um certo período. Deve proporcionar diferentes oportunidades para as crianças praticarem e utilizarem os conhecimentos e as capacidades que forem introduzidos.

O jogo é muito importante para crianças em idade escolar. Elas gostam de fazer jogos com réguas, pedras, desporto ou jogos de carta. Se dada a oportunidade, elas gostam de drama e encenar. O seu jogo é normalmente segradado em termos de género, o que, em certa medida, pode reflectir diferentes interesses dos rapazes e das raparigas (Mitchael, 1992). Crianças de tenra idade normalmente encenam perante os adultos que se encontram em volta. Elas vêm o professor como o seu modelo de papel por causa do seu contacto diário. Por conseguinte, é importante que o professor proporcione uma motivação positiva de comportamento, do conhecimento e de capacidades. Por exemplo, o castigo corporal praticado pelo professor pode muitas vezes levar as crianças a emitarem este tipo de comportamento com as outras.

SUGESTÕES PRÁTICAS: Algumas formas para organizar lições para crianças de tenra idade:
21. Tenha muitos materiais para as crianças utilizarem no processo de aprendizagem. As Crianças podem recolher alguns desses materiais elas próprias e estes podem ser guardados na turma. Materiais prontamente disponíveis incluem paus, pedras, folhas de plantas, plantas e imagens.
22. Proporcione uma variedade de formas para as crianças exprimirem o que aprenderam. Algumas formas efectivas, práticas e divertidas de expressão incluem a encenação, o drama e jogos (para mais informações veja a secção 4.2 deste capítulo).
23. As crianças aprendem melhor vendo e fazendo, ao invés de apenas serem mandadas. Em vez de lhes ordenar um facto, encontre formas pelas quais elas podem ver esses factos com os seus próprios olhos. Por exemplo, pode organizar visitas a locais próximos, tais como farmas, florestas e rios; ou introduza trabalho de projecto, tal como entrevistar os outros e registar essas entrevistas, procurar informações de livros, e explorar questões em pequenos clubes.

Adolescentes (11 - 18 anos): Pode haver crianças mais velhas na escola primária, muitas das quais adolescentes. Recorde-se que crianças de diferentes idades têm diferentes interesses e também pensam de formas diferentes, de tal forma que o professor deverá ensinar as crianças de maior idade de maneira diferente em relação às mais novas. Os adolescentes já não são ligados ao raciocínio concreto sobre objectos. Eles podem iniciar pensamento abstracto, e as suas capacidades e raciocínio científico aumentam. Os dados podem ser organizados através da classificação e da correspondência. Os resultados dessas operações facilitam o pensamento lógico dos alunos. Esses podem agora raciocinar hipoteticamente e gostar do tipo de problemas "e então".

Durante esta fase, os aprendizes mais velhos tendem a questionar e a criticar mais em relação às crianças mais novas. Eles podem não aceitar a autoridade muito facilmente e serão mais influenciados por crianças da sua própria idade, nomeadamente os seus amigos e colegas. São capazes de fazer mais barrulho na turma do que as crianças mais novas. Ao mesmo tempo eles podem ser capazes de aprender muito mais rapidamente e de forma mais abstracta do que as crianças mais novas.

Se possível, estas crianças mais velhas deviam ser colocadas em turmas com alunos da mesma idade. Todavia, onde isso não for possível, e onde um professor conseguir encontrar crianças de cinco anos de idade na mesma turma que as de 15 ou de 18 anos, seria aconselhável dividir a turma em grupos pequenos, com as crianças mais velhas trabalhando por vezes em conjunto e, noutras vezes, colocando crianças simpáticas mais avançadas como líderes de grupos de crianças de idades mais tenra. Se as crianças mais velhas competirem com as crianças mais novas, particularmente as raparigas mais velhas a competirem com os rapazes mais, ou os rapazes mais velhos a competirem com as raparigas mais novas, isso pode desencorajar e intimidar tanto os mais velhos, como os mais novos.

SUGESTÕES PRÁTICAS: Algumas formas para organizar aulas para adolescentes:
Os adolescentes têm interesses diferentes dos mais novos. Descubra quais são esses interesses e utilize-os no seu ensino. Por exemplo, os adolescentes estarão mais interessados no que fazem como adultos, seja nas suas carreiras ou nas suas relações sociais. Eles podem muitas vezes estar mais interessados na expressão das suas personalidades, através dos seus hábitos e da sua linguagem. Utilize esses interesses nas suas aulas.
Os adolescentes gostaria de estar mais independentes, de fazer as coisas por si próprias, de aprender sozinhos e de se sentirem mais responsáveis de si próprios e pela sua aprendizagem. Utilize a boa vontade deles de quererem ser mais independentes por forma a permití-los aprender melhor. Por exemplo , deixe-os descobrirem informações através de entrevistas, leitura e investigação sozinhos. Permita-lhes fazer mais trabalho de projecto. Permita-lhes aplicar os seus conhecimentos e as suas capacidades para as realidades aos seus arredores, tal como desenhar mapas das suas casas, escolas e outros arredores.

4.2. Disciplina e Gestão da Turma:
Na discussão a nível da secção 4.1 sobre como aprendem as crianças, foram feitas sugestões em relação à forma como os professores devem modelar o comportamento da aprendizagem e as melhores formas das crianças de tenra idade e dos adolescentes adquirirem conhecimentos e capacidades. Nesta secção, nós adoptamos uma perspectiva mais psicológica na discussão do desenvolvimento da criança e como esse desenvolvimento afecta o comportamento. Analisaremos como a disciplina e a gestão são tão importantes para o bem estar das crianças, e forneceremos sugestões concretas para formas positivas de disciplinar e gerir as crianças.

A disciplina é o que diz e faz para ensinar a uma criança individual um comportamento aceitável e orientá-la na prática desse comportamento. A disciplina não é simplesmente um castigo. A gestão inclui técnicas que os professores utilizam para orientar o comportamento de um grupo de crianças. A disciplina e a gestão irão ajudá-lo a responder três objectivos importantes:

Manter as crianças fisicamente sãs. As crianças de tenra idade são impulsivas. Elas muitas vezes se movimentam e respondem sem pensar nas consequências das suas acções. As crianças mais velhas podem também ser levadas neste rítmo quando estiverem a brincar e a pôr em perigo outros alunos e si próprios.

Promover o auto sentido das crianças. À medida em que se definem como pessoas separadas, as crianças testam os limites. Está aí para ajudar a estabelecer os limites quando necessário e permitir às crianças a se sentirem seguras. Saber que está presente para insistir em algumas limitações, irá diminuir os receios das crianças de perderem controlo e encoraja-as a estimularem a sua independência.

Ensinar as crianças a desenvolver auto-controlo. Este processo leva muito tempo e, através dele, a criança aprende convicções, valores e um senso do correcto e do errado. Ao longo do tempo, as crianças já não precisarão de ser recordadas a se comportaren "correctamente", porque elas agirão como base na sua própria convicção é relação ao que é correcto fazer. O auto-controlo é importante por duas razões, em particular: (1) as pessoas com bom sentimento de auto-controlo confiantes e orgulhosas de si próprias; e (2) as pessoas com auto-controlo são membros mais responsáveis de um grupo - ao mesmo tempo que dão as suas próprias opiniões e convicções, elas respeitam as opiniões e as convicções dos outros.

Recorde-se que cada criança é uma pessoa individual e que as crianças na turma estarão a diferentes níveis de desenvolvimento, mesmo tendo a mesma idade. Seguem-se algumas directrizes e sugestões para os professores responderem aos objectivos acima:

Faça coincidir as suas expectativas de comportamento ao nível do desenvolvimento das crianças. As crianças em tenra idade são, por exemplo, mais ou menos capazes de exercer auto-controlo. Elas compreendem porque é que existem regras e podem iniciar a gerar as suas próprias regras. À medida em que se desenvolvem mentalmente, elas demonstram agressividade mais de forma verbal do que física. Insultam-se umas às outras e precisam da sua ajuda para aprenderem que esse comportamento é nocivo e não aceitável.

Mostre respeito às crianças, mesmo quando não aprova o seu comportamento. Tenha a cautela de não atacar a auto-estima das crianças. Não deve focar a sua desaprovação em relação ao comportamento sobre as crianças.

Proporcione uma rotina. As crianças respondem muito bem às actividades rotineiras, tais como cantar uma canção matinal para iniciar o dia e para assinalar a hora do almoço. Também recorde-se de explicar às crianças o que vai acontecer em seguida, porque elas não se sentem à vontade em estar em transição ou sem limites. Por exemplo, pode dizer "depois desta actividade, nós vamos fazer um jogo".

Ofereça alternativas. Seja flexível com os seus planos de lição, porque problemas de comportamento muitas vezes surgem quando as crianças estão cansadas ou julgam que as tarefas são demasiado difíceis. Se as crianças tiverem a enfrentar dificuldades com um exercício, esteja pronto para alterá-lo ou oferecer um exercício diferente, em vez de forçá-las a continuar. Ajude as crianças a compreenderem outros sentimentos. O reconhecimento de como o seu comportamento influencia os outros, irá ajudar as crianças a começarem a aprender a controlar o seu próprio comportamento. As crianças de tenra idade não terão desenvolvido a capacidade de percepção, portanto o professor terá que realçar este aspecto: "o seu amigo está desiludido porque você o bateu" ou "ele ou ela está zangado(a) porque não permitiu que jogue consigo".

Envolva a turma inteira na solução de problemas. Se houver um problema que afecta a turma inteira, peça os alunos que façam uma reflexão sobre formas para o resolver. A reflexão significa permitir que todos sugiram soluções sem descontinuar qualquer uma delas, e o professor deve acompanhar essas sugestões. Quando já não êm sugestões, faça uma revista da lista e elimine sugestões, dando boas razões de porque é que não são aplicadas. Se as crianças não poderem apresentar quaisquer soluções racionais, também pode oferecer soluções. Isto encoraja trabalho em equipa e criatividade na criação de problemas.

Reconhecer o comportamento positivo das crianças. Um soriso ou um comentário de encorajamento contribuirá em grande medida para promover um comportamento desejado. Por exemplo, "gosto da forma como vocês os dois cooperaram para decidir quem iria desenhar primeiro".

Encoraje as crianças a falarem sobre os seus sentimentos e as suas frustrações. Ouça o que as palavras e as acções das crianças te dizem sobre os sentimentos delas. Elas podem precisar da sua ajuda para encontrar palavras para definir os seus sentimentos. Ajude-as a explicarem às outras crianças que estão a sentir-se aborecidas, tristes, frustradas, excitadas, etc.

Mantenha o seu sentido de humor. Uma brincadeira, uma canção engraçada ou uma cara patética podem dar a cada criança o necessário sentido de perspectiva, quando as coisas se tornarem tensas.

Esteja ciente de que pode influenciar as suas expectativas e respostas ao comportamento das crianças. As suas experiências da infância, a sua personalidade e as suas convicções e os seus valores influenciam na forma como trata as crianças. É particularmente importante para as crianças de tenra idade que as normas que estabele para o espaço de aprendizagem sejam apropriadas e não apenas uma repetição de como foi criado.

Comunique a sua filosofia sobre a disciplina e a gestão aos pais. É extremamente importante que as crianças não recebam mensagem altamente conflictuosas dos vários proporcionadores de cuidados nas suas vidas. O professor deve trabalhar com os pais no sentido de desenvolverem técnicas mutuamente aceitáveis de gestão, reconhecendo que a gestão que necessita no espaço da aprendizagem tende a ser peculiar à medida em que devem sempre encorajar a aprendizagem. Pode querer organizar encontros regulares com os pais a fim de discutir o comportamento e a disciplina, e pode pretender encorajar aos pais a adoptarem o seu comportamento, tal como tratar as crianças com respeito, mesmo quando não concorda com o seu comportamento.

SUGESTÕES PRÁTICAS: Caixa de Reclamações:
Uma tradicional caixa de reclamações, com um buraco no topo, pode ajudá-lo a acompanhar o seu ensino, na medida em que os alunos podem reclamar sobre tudo sem consumir o seu tempo ao fazê-lo (eles podem mesmo fazer algum exercício escrito no processo). Faça uma leitura das reclamações no fim de cada dia; as reclamações importantes são conservadas para ser tratada na medida em que julgar apropriado (possívelmente terá sido capaz de ver e de tratar de situações bater-se um ao outro e de outras agressões físicas imediatamente). As reclamações mais insignificantes são normalmente ignoradas, já que as crianças tinham já feito o que precisavam fazer: apenas faça alguma coisa para as satisfazer. Nesses casos, é muito provável que até à altura em que for ler as mesma, elas se tenham esquecido de tudo.
De: http://www.teachnet.com/manage.html.

Orientações para tratar de distúrbios na turma: Há uma série de orientações gerais que vários professores julgaram ser efectivas (Hoover, 1987). Todavia, não há um procedimento fixo para distúrbios na turma:

  Conversas perturbantes. Algumas vezes, estes distúrbios podem ser ignorados. Se o seu alastramento ameaçar, o professor pode passar para a área de distúrbios. Ele/ela pode oferecer-se para ajudar os alunos a iniciar uma certa tarefa. Se o professor estiver a falar para o grupo inteiro, uma pausa ou uma pergunta a um dos alunos que esteja a criar distúrbios, pode efectivamente resolver o problema. Embora alguns professores sejam rápidos em separar os alunos que perturbam, isso é muitas vezes um procedimento que não é aconselhável. A prática pode criar desgostos e servir para alastrar o problema para outras partes da sala.

Super-dependência de uma criança em relação a uma outra. Este é um problema que normalmente se ultrapassa por si próprio. Por vezes, os alunos precisam um do outro até que seja possível uma atenção aceitação social mais ampla. A aceitação social mais ampla é encorajada através de ênfase sobre trabalho em grupo.

Hostilidade entre indivíduos e/ou grupos. Converse com cada um dos participantes individualmente. Tente descobrir as causas antes de qualquer tentativa drástica de reformação.

Aldrabice. A aldrabice pode ocorrer como resultado de demasiado ênfase nos graus ou estabelecimento de padrões não realistas. Por exemplo, se a tarefa for demasiado defícil para os alunos, estes serão obrigados a responder ao requisito.

Temperamento. Quando uma criança numa certa turma tem tendência a temperamento, todos os outros na aula devem evitar ouvir essa criança. O professor pode necessitar de tirar a criança da turma para que as outras crianças não lhe dêem audiência. O profesor pode querer descobrir o que causou o temperamento da criança e, em seguida, tentar ajudá-la a ver o seu comportamento de forma diferente. Isso pode ajudá-la a evitar a sua repetição.