A educação é universalmente
reconhecida como um direito humano fundamental para todas as crianças.
Ela contribui não apenas para o desenvolvimento social e económico,
mas tem um valor inerente em si próprio. A educação
é uma preparação para a vida, que lança a base
necessária para o desenvolvimento geral e o bem estar das crianças.
Situações de emergência - pobreza, guerra, conflitos,
migrações forçadas, guerras étnicas ou calamidades
naturais, criam condições de descontinuidade, incerteza e
instabilidade que afectam as oportunidades de educação das
crianças. Os profundos impactos negativos de emergências sobre
a educação atribui-se a factores tais como os deslocamentos
de comunidades, a desintegração de famílias e de estruturas
sociais, a destruição de facilidades educacionais, recursos
físicos e financeiros escassos e a falta de professores qualificados.
Em alguns países, mesmo quando não existem situações
de emergência, pode haver uma falta de condições e de
recursos ideiais para apoiar a educação básica. Como
resultado dessas condições, as crianças muitas vezes
não têm acesso à educação básica
de boa qualidade.
EDUCAÇÃO: UM DIREITO HUMANO BÁSICO
Toda gente - criança, jovem e adulto - será capaz de beneficiar
de oportunidades de ensino concebidas para responder às suas necessidades
básicas de aprendizagem. Essas necessidades envolvem tanto instrumentos
de aprendizagem essencial, tal como a alfabetização, numeração
e solução de problemas, como o conteúdo de aprendizagem
básica, tal como o conhecimento, os valores e as atitudes que os
seres humanos necessitam para ser capaz de sobreviver, desenvolver as suas
capacidades intelectuais, viver e trabalhar com dignidade, melhorar a qualidade
das suas vidas, tomar decisões com conhecimento de causa e continuar
a aprender. Do: Artigo 1.1, Convenção sobre os Direitos da
Crianças.
O acesso à educação pode desempenhar um importante
papel na criação da continuidade, nas capacidades da sobrevivência
do ensino, em trazer esperanças e capacitação e na
estabilização de pessoas deslocadas em situações
de emergência. A curto prazo, o acesso à educação
básica proporciona a posssibilidade para as crianças adquirirem
conhecimento, competências e capacidades que lhes permitem fazer
face às prevalecentes situações difíceis de
forma mais efectiva. Em particular, importantes mensagens relacionadas
à saúde, higiene e protecção ambiental, reconciliação
e outros aspectos da vida em situações de emergência,
podem ser efectivamente transmitidas através de programas educacionais.
A um prazo mais longo, a educação constroi uma base necessária
para o desenvolvimento pessoal e o bem estar das crianças, permitindo-lhes
compreender a sua situação de vida, comunicar efectivamente,
tormar decisões informadas, resolver problemas e agir.
O desenvolvimento de kits educacionais (edukits) foi primeiro iniciado
pela UNESCO e pela UNICEF no Ruanda e na Somália, como forma de
ajudar as crianças destes países a prosseguirem a educação
básica (Pigozzi, 1997). "Escola numa caixa" foi tida
como uma resposta rápida a situações de emergência
que permitiu a distribuição de materiais essenciais de aprendizagem
e ensino em lugares onde os serviços educacionais tinham sido rompidos
por guerras, perturbações civis ou calamidades naturais.
Mais tarde, edukits foram também utilizados em países com
recursos limitados para a educação, a fim de garantir que
todas as crianças tivessem acesso a uma boa qualidade de educação
básica.
Este Edukit consiste de sugestões e materiais de referência
para professores que trabalham em situações de emergência.
Inclui directrizes para o desenvolvimento de currículo, metodologia
de ensino, bem como materiais e fornecimentos de aprendizagem necessárias
para o ensino em situações de emergência. O Edukit
não é um manual prático que daria instruções
para a solução de problemas existentes. Em contrapartida,
ajuda-o a fazer face a esses problemas, indicando as questões que
são importantes para se ter em mente na altura da planificação
de actividades educacionais em situações de emergência.
Embora a natureza do Edukit seja genérica, cada programa educacional
será modificado pelos especialistas em educa locais, na altura
da implementação no terreno. Além de traduzir os
materiais e as directrizes educacionais para as línguas locais,
esses especialistas irão trabalhar com os professores para adaptarem
os materiais de instrução, a fim de fazer face às
necessidades e condições locais. Um princípio fundamental
é de que a planificação da educação
em situações de emergência deve ser baseada nas necessidades
da comunidade e no envolvimento da população local no processo
de tomada de decisões. Com efeito, é importante que dependa
no seu próprio conhecimento da situação local, nas
suas capacidades e experiências e no seu senso comum, quando estiver
a utilizar essas directrizes. O Edukit inclui seis capítulos que
são reconhecidos em termos das seguintes questões:
1. Avaliação de necessidades, recursos e facilidades disponíveis:
Este capítulo proporciona orientações para a recolha
das informações necessárias para o início
de programas educacionais em situações de emergência.
Organizado em forma de questionários, ajudá-lo-á
a: (1) identificar os principais efeitos das emergências sobre a
educação; (2) avaliar os recursos humanos disponíveis;
e (3) avaliar as facilidades e os serviços educacionais existentes.
2. Como trabalhar em condições de mudança e instabilidade:
Momentos de emergências tendem a minar a motivação,
o apoio e a participação dos professores. Estes podem ser
forçados a trabalhar sem remuneração, alguns são
perseguidos e vários são vítimas de violência.
Este capítulo discute vias eventuais de criar sistemas substanciais
de apoio ao professor com base no envolvimento da comunidade e dos pais
na planificação, implementação e administração
educacionais.
3. Como fazer face à falta de recursos: O acesso físico
a escolas é um importante constrangimento à participação
educacional em situações de emergência, muitas vezes
por causa da destruição das facilidades escolares. Este
capítulo sugere vias possíveis da utilização
de outras facilidades localmente disponíveis, espaço e o
ambiente para fins educacionais, e proporciona métodos de geração
de receitas através do acesso a organizações não
governamentais.
4. Como as crianças aprendem e se comportam: Em situações
de emergência, as turmas podem ser muito grandes e podem incluir
crianças de diferentes idades que se encontram em níveis
diferentes de desenvolvimento físico, emocional e coongnitivo.
É importante ter a consciência das diferenças entre
as crianças na turma, a fim de os ajudar a aprender bem. Este capítulo
resume as grandes características de dessenvolvimento das crianças
em diferentes grupos etários e identifica algumas abordagens de
ensino e técnicas de gestão da turma podem ser efectivamente
utilizadas pelos professores.
5. Como leccionar numa variedede de situações: Toda a criança
é um indivíduo que se desenvolve ao seu próprio passo
e que difere nas necessidades, habilidades, interesses, padrões
de aprendizagem, culturas e comportamentos. Este capítulo proporciona
uma panorâmica de diferentes métodos de ensino e aprendizagem
e sugestões práticas para a sua implementação
no ensino na turma.
6. O que é que os alunos devem aprender: Este capítulo
identifica metas e objectivos educacionais para o ensino primário
que podem ser utilizados como um ponto de partida para a planificação
e a implementação de programas educacionais em situações
de emergência. As metas e os objectivos são divididos em
cinco áreas disciplinares:
Língua, incluindo língua materna
e uma segunda língua;
Matemática, incluindo números,
padrões, relações, formas, medidas e cálculos,
fracções e decimais;
Ciências, incluindo questões
científicas, matérias e energia, força e moção,
o universo, processos de terra, ecologia e sistema de vida;
Estudos Sociais, incluindo a história,
geografia, economia, aspectos cívicos e governo, e gestão
de conflitos; e
Saúde, Nutrição e Desenvolvimento
Físico, incluindo a higiéne pessoal, nutrição,
segurança e primeiros socorros, crescimento e desenvolvimento humanos
e formação física.
7. Como desenvolver planos de lições: Este capítulo
fornece informações sobre como desenvolver planos quotidianos
de lições, incluindo a redacção de metas e
objectivos para a lição, escolher a metodologia de ensino
e as actividades de aprendizagem e desenvolver técnicas de avaliação
e valorização.
Além disso, são proporcionados exemplos
de planos de lição frutíferos em cinco disciplinas.
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