Vá até a sala de aulas da ciência
do Daniel Menelly e nunca poderá advinhar que está a entrar
em algo extra-especial. Existem palavras da ciência escritas no quadro,
equipamentos de ciência nas prateleias e, por todo o canto, os alunos
estão muito empenhados em projectos da ciência. No que toca
às aparências físicas, podia ser uma sala de aulas numa
escola de ciência em qualquer parte.
Mas converse com Menelly e os oito alunos da oitava classe que ele ensina,
e veja alguns dos projectos que os meninos estão a fazer, e irá
obter a ideia de que algo extra-especial está realmente a acontecer.
Biscoitos da química. Tome, por exemplo, esta actividade química.
É uma receita para biscoitos de chocolate e começa com os
seguintes ingredientes que excitam a mente:
1) 532,35 cm3 de gluten
2) 4,9 cm3 NaHCO3
3) 4,9 cm3 halite refinado
4) 236,6 cm3 de triglicerida de cebo parcialmente hidrogenizado.
Há um total de 10 ingrediente, seguidos de uma série de instruções
cientificamente precisas. (Modelo: "para um vaso redondo coberto de
2-L (reactor #1) com uma co-eficiente transferência de calor geral
de cerca de 100 Btu/F-ft2-hr, acrescente ingredientes 1, 2 e 3 com agitação
constante"). A receita termina com esta admonição: "P.S.
Não tente fazer isso em casa". Existem abilidades mais desafiadoras
da origem. Muito mais.
Numa recente visita à turma do Mennely, na Dodd Midle School,
em Cheshire, Connecticut, durante o ensino, os seus alunos estavam a aproximar-se
do fim de um projecto de quatro dias que envolvia a classificação
de todos os domésticos. Os alunos tinham formado equipas de entre
1 e 5, e tinham escolhido um produto para uma equipa - de uma longa lista
apresentada no quadro que incluia artigos tais como produtos para a limpeza
do vidro, detergentes, cola, lubrificantes, panos de limpeza, adocicantes,
manteiga e comida de peixe.
Depois de escolhidos os produtos, os meninos sentiam-se muito à
vontade. Primeiro, eles eram instruídos a seleccionar 3 ou 4 marcas;
em seguida, deviam identificar 3 das variantes dos produtos. Quatro rapazes
que estavam a investigar sabão anti-bactérias, por exemplo,
decidiram no custo, cheiro e pó anti-germe, como as suas três
variantes.
Mas o desafio estava apenas a começar. Nessa altura, as equipas
deviam conceder e realizar testes para todas as três variantes.
O custo e o cheiro são relativamente fáceis, mas será
que o mesmo acontecerá com o pó anti-germe? Os rapazes criaram
culturas de caldo de galinha, acrescentaram sabão e, passados alguns
dias utilizaram um microscópio para examinar as culturas à
busca de crescimento de bacterial.
Variantes de teste. Seguem-se mais duas ideias brilhantes que os meninos
produziram para testar as variantes:
Uma equipa que investigava o conteúdo
do dióxido de carbono de marcas proeminentes de soda colocou balões
por cima de latas, mexeram as latas que libertaram o gáz e registaram
o tamanho dos balões.
Uma equipa que investigava o pó fixo
de perfume pulverizou três balões coloridos com perfume,
pendurou-os numa árvore [cont. Na p. 36] fora da escola durante
seis horas e, em seguida, convidou outros alunos a verem qual dos perfumes
era mais forte.
Onde estava o Menelly quando tudo isso acontecia? Na moção
constante em volta da sala de aula. Quando os alunos necessitam de encorajamento
ou de algumas sugestões que possam ajudá-los, ele nunca
estava muito longe. Mesmo assim, a demonstração é
essencialmente dos meninos.
Abordagem construtivista. Eis o que Menelly tem a dizer sobre como dar
aos meninos uma importante parte da acção. "Tenho estado
a modificar instruções na minha sala de aulas para centrar
numa abordagem mais construtivista. Não estou interessado na abordagem
porque ela parece ser a tendência corrente, mas porque parece realmente
adequar-se à forma como os alunos da ciência na escola média
parecem estar a aprender.
"Recentemente, conduzi uma actividade de física de ondas,
onde os alunos eram encorajados a formularem as suas próprias experiências
da física de ondas com materiais que coloquei em diferentes lugares
por toda a sala. Senti-me encorajado ao ver os alunos a montarem algumas
experiências de ciência muito eficazes e simples.
Ele continuou, "quando perguntei aos alunos sobre o que estavam
a fazer, eles foram capazes de fazer algumas conexões um tanto
quanto significativas entre as suas próprias experiências
e algumas da ideais abstractas nas discussões da turma. Esse é
um resultado que por vezes não vejo quando os alunos fazer exercícios
laboratoriais preparados de "preparadores de biscoitos".
Menelly tem também estado a fazer experiências com oportunidade
de investigação centrada nos alunos. Ele citou uma actividade
recente em que os alunos eram agrupados por interesse, e não abilidade,
para investigar uma das cinco teorias da estrutura atómica.
"Pretendia consolidar a sua própria base para o estudo da
matéria e da química, pelo que os instruí a explorarem
as teorias fundamentais da estrutura atómica", disse ele.
"Os alunos entraram em linha para investigar dados, lançaram-se
em materiais de referência científica e até verificaram
algumas referências filosóficas, estudando Democritus e as
teorias gregas do átomo".
No meio de toda esta ciência do fazer pessoalmente, está
um processo de avaliação que muitas vezes encoraja os alunos
da oitava classe a julgarem, por si própiros, o que estão
a fazer. Depois do teste de produtos domésticos, por exemplo, os
alunos fizeram uma análise crítica das experiências
dos outros e, ao mesmo tempo, escreveram sobre o que pensavam que melhor
podiam fazer no projecto e o que fizeram de forma diferente dos outros.
(Um aluno fez notar que tinha notificado a uma enfermeira da escola sobre
uma certa marca de sabão anti-bacterial).
Necessidades especiais. O Menelly ensina quatro secções
num total de 97 alunos. A ele juntou-se a Janet Johnson, para alguma aulas,
uma assistente de instrução que é também uma
professora certificada. O Menelly mantém também contacto
próximo com professores de ensino especial na escola. Isso é
importante, notou ele, na medida em que 23 dos seus alunos têm necessidades
espeiciais. De igual modo, muitos desses alunos nunca foram harmonizados
numa turma regular da ciência.
Outras abordagens. Nas aulas de Daniel Menelly, não se trata de
uma experiência científica após outra. Durante o ano
inteiro, ele apresenta outras abordagens à ciência - através
da arte linguística e estudos sociais. Nos finais do ano em curso,
ele fará equipas com professores de artes linguísticas para
ensinar as crianças sobre o Holocausto. Nas artes linguística,
os alunos irão ler o Diário de Anne Frank; na ciência,
irão estudar cientistas alemães que foram perseguidos pelos
Nazis.
"Estou também a reforçar algumas das questões
mais prática da ciência, como a constituição
de um vocabulário de trabalho na ciência", disse Menelly.
"Os meninos tiveram recentemente um momento divertido com uma actividade
que eu chamei "Um Enigma em Acção".
"Distribuí ao acaso peças do "Enigma em Acção"
aos meus alunos. Alguns receberam termos de vocabulário científico,
outros tiveram gráficos e diagramas esquemáticos sobre os
termos do vocabulário. Em seguida, os alunos foram solicitados
a localizar a imagem "correspondente" ou a palavra, e sentaram-se
ao lado do aluno que os possuía.
"Depois de todos estarem sentados, perguntei aos alunos porque tinham
escolhido certos parceiros", disse Menelly. "Ao pares, eles
explicaram e descreveram os seus termos numa linguagem que os seus colegas
podiam compreender. O meu papel era realmente de menor importância.
Simplesmente coloquei o enigma e instei para que os alunos tomasses direcções
diferentes, encorajando-os a fazerem perguntas uns aos outros se as suas
peças poderiam se enquadrar.
"Era uma actividade tão simples, quase que elementar, mas
fiquei impressionado com o domínio, pelos alunos, dos termos científicos
novos, e fui capaz de evitar o tratamento rotineiro deste material que,
por vezes, desanima as crianças".
O coração da questão. Os projectos da ciência
do Menelly não se tornam fáceis na medida em que o ano escolar
vai andando. Em breve, os seus alunos vão ser solicitados a resolverem
um problema de insulação da seguinte forma: Um coração
em vida é oferecido por um doador na Costa Ocidental a um paciente
de transplantação na Costa Oriental. Produza um contentor
que irá permitir o coração estar calmo enquanto estiver
a ser transportado.
O que pensam os alunos sobre tomar responsabilidade da sua educação
na ciência? Quando o Ensino K-8 os questionou, eles disseram algo
como, "estamos a divertir-nos", e "é bom estar apenas
a ouvir". Mas nesse dia, uma acção (ou talvez fosse
uma não acção) falou mais alto do que as palavras.
O sino tinha tocado e todos os alunos tinham saído para o almoço,
à exepção de duas raparigas que se associaram no
seu projecto.
"Viram aquelas duas raparigas?", perguntou Menelly, mais tarde.
"Elas têm amigos com quem se encontram durante o almoço
e, normalmente, são as primeiras a sair. Mas hoje estavam todas
envolvidas na ciência". Ele parou e pensou durante algum momento
e, em seguida, disse "sinto-me realmente encorajado". Precisam
verificar os elementos químicos? Vejam só a tabela periódica
na perede.
AUTOR: IAN ELLIOT.
FONTE: Teaching PreK-8 28 34-8 Jan/98. O publicador da revista
é detentor dos direitos de propriedade deste artigo e o mesmo é
produzido com autorização.
ACTIVIDADES DA CIÊNCIA PARA O ENSINO PRIMÁRIO
E INTERMÉDIO: As actividades que se seguem foram adaptadas
para crianças do repertório do ensino médio e actividades
escolares da ciência de Daniel Menelly. As ideias aplicam-se bem a
todos os níveis, e porque não fazê-las parte do seu
currículo?
Sonda profunda. Muitas crianças sentem-se fascinadas pelos animais
que vivem no fundo do oceano, próximo de ventos quentes vulcânicos
que emitem enxofres quentes. Na década de 70, os cientistas descobriram
um mundo de criaturas marítimas estranhas (ostras gigantes e vermes
compridos com franjas vermelhas brilhantes) que vivem sob o enxofre.
Utilize o retroprojector para mostrar aos alunos primários imagens
dessas criaturas. Em seguida, faça com que os alunos desenham as
suas próprias versões da vida marinha que pensam que poderão
viver no fundo do mar. O que podem dizer as crianças sobre os animais
que elas criaram? Uma vez, Menelly pediu que a turma intermédia
comparasse as descobertas do fundo do mar às que Darwin descobriu
há um século atrás. "As crianças fizeram
algumas comparações excelentes entre os vermes grandes e
os estranhos, lebres de pernas compridas descobertas por Darwin",
disse Menelly.
Leitura recomendada: Fogo Sob o Oceano: A Descoberta do Ambiente Mais
Extraordinário na Terra - Águas Quentes Vulcânicas
no Solo Oceânico por Joseph Cone (Morrow, 1991) e Water Baby: A
História de Alvin por Victoria A. Kaharl (Imprensa da Universidade
de Oxford, 1990).
Calor na escuridão. Tanto os alunos do ensino primário,
como do ensino intermédio podem divertir-se, explorando a luz ultra
violeta. Alguns alunos trazem objectos luminosos como lanternas neon,
colantes, bugigangas, polidores de unhas florescentes, cartazes e brinquedos.
Numa luz escura, esses materiais assumem uma forma brilhante e electrico-branca.
Mais tarde, quando estiverem a estudar a lumnescência dos fósferos
em luz ultra-violeta, os alunos já terão tido um bom quadro
de referência.
Imagens de insectos. Apresente micrográficos (desenhos ou imagens
de objectos, tal como vistos através de um microscópio)
de cabeças e apêndices de insectos, através de uma
copiadora por transparências e projectá-los numa parede branca.
O efeito pode ser petreficante.
Quando estiver a projectar a transparência de uma cabeça
de insecto aos alunos do ensino primário, indique que a lâmpada
de uma viatura é formada contra olhos compostos de insectos. Encoraje
as crianças a verificarem por si próprias, com uma viatura
familiar. Não há nenhuma razão que justifique que
crianças mais velhas possam fazer o mesmo. Elas podem também
tentar as suas mãos para histórias científicas, utilizando
as imagens de insectos grandes como ponto de partida.
Construir um dinossauro. As crianças entre oito anos e mais, podem
construir os seus próprios modelos de esqueleto de um réptil
Brontosaurus, de pescoço longo e corpo curto que muitas vezes pesavam
mais de 30 toneladas. Os padrões de dinossauro em Cut and Make
a Dinossaur Skeleton por A. G. Smith (Dover, 1988) podem ser fotocopiados
para os alunos transferirem e alargarem um gráfico para tornar
os modelos de escalas diferentes.
As crianças gostam de formar equipas para construir esses modelos,
e os professores podem fazer excelentes conexões de matemática/ciência/arte
que realmente se reflectem nos alunos.
Um acréscimo: Porque o livro custa menos de 3 dólares, a
actividade pode ser feita praticamente sem nenhum custo. (P. S. Dover
tem um outro livro com preço idêntico recomendado por Menelly,
como "um dos melhores livros da ciência prática".
It's Nathan Shalit's Cup and Saucer Chemistry).
Regularmente, Menelly selecciona uma imagem de uma invenção
de um livro sobre patentes antigas, e desafios que os estudantes enfrentam
para advinhar o conteúdo da invenção. A invenção
aqui mostrada? Bem, se tivesse um gato de estimação e uma
piscina e o gato tivesse caído na piscina, esta seria uma boa saída.
Esta invenção (e as outras que Menelly demonstra) são
de Pais Peculiares: Uma Colecção de Invenções
Pouco Habituais e Interessantes dos Arquivos do U.S. Patent Office, por
Rick Feinberg, direitos de autor (c) 1994, publicado por arranjos com
Carol Publishing Group, um Livro de Imprensa de Citadel.
Algumas actividades extra-especiais na ciência para os alunos elementares?
Muito simples. Envie simplesmente um envelope com selos, auto-endereçado
a Daniel J. Menelly, Caixa Posta 1311, Cheshire, CT 06410.
AUTOR: KATIE P. McMANUS.
Localizada em idyllic setting, Dodd Midle School - é a única
escola média em Cheshire, uma comunidade de New England de cerca
de 26 000 Menelly and Instructional Assistant Janet Johnson, um professor
certificado com dedicação à ciência. Dodd Middle
School Principal Donald F. Wailonis and Assistant Principal Sharon W.
Weirsman.
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