Quando quiser explicar conceitos abstractos,
um modelo ou uma demonstração física podem, muitas
vezes, valer milhares de palavras. As demonstrações não
precisam ser minuciosas; por vezes, mesmo a conjura de uma imagem familiar
mental pode esclarecer um conceito difícil. Os brinquedos e utensílios
domésticos comuns servem de importantes ferramentas de demonstração.
Eis alguns dos meus favoritos:
1. As moléculas biológicas são constituídas
por monomeros (unidades singulares), que são quimicamente agremiados
para formar polimeres (muitas unidades). Este conceito singular aplica-se
a uma variedade de diferentes tipos de moléculas: Nucleotidas são
juntadas para formar ácidos nucleolos e ácidos aminos juntam-se
para formar proteínas.
A ordem dos monomeros determina o tipo de ácido nucleico, o de
proteína formada. As diferentes cadeias, tal como representadas
pelas suas fórmulas químicas, podem parecer muito semelhantes
perante os alunos. Mas quando os demonstra com perolas gigantes e de cores
vivas, o conceito torna-se claro. Diferentes pérolas coloridos
são facilmente distinguíveis e podem representar diferentes
tipos de nucleotidas ou ácidos aminos.
2. Proteínas são fios de ácidos aminos (polipeptidos)
que são dobrados de forma precisa; a última dobra da estrutura
é essencial para o seu funcionamento adequado. Há quatro
"níveis" de dobra da proteína, referidos como
estrutura primária, secundária, terceária e quartenária.
A utilização de assessorios simplifica dramaticamente a
explicação da estrutura da proteína. Imagine: A estrutura
primária é representada como o nosso fio de perolas de dentada
fixa. Os alunos podem então facilmente fazer a transição
para verem um fio telefónico estreito (do tipo que liga a parece
ao aparelho telefónico) como um fio de várias centenas de
ácidos aminos. A estrutura secundária é em seguida
apresentada como uma corda telefónica entrelaçada (que liga
o telefone à saída da boca). É fácil demonstrar,
esticando e libertando a corda, como a estrutura secundária pode
"comprimir" o fio polipeptido.
Depois, para demonstrar a estrutura terceária, simplesmente dobro
regiões distantes da corda do telefone numa pequena bola que assento
na minha mão. Para demonstrar a estrutura quartenária, pego
em duas ou mais "bolas" de corda telefónica de cores
diferentes e junto-as.
3. Por vezes, uma imagem mental resulta tão bem como uma demonstração
física. Por exemplo, as células nervosas transmitem impulsos
eléctricos a outras células. Depois de cada impulso, a célula
tem um "período refractório" durante o qual não
pode emitir um outro impulso. A comparação com o depósito
de latrina, que tem um período refractório depois de se
lhe puxar a água, normalmente provoca gargalhadas, ao mesmo tempo
que consolida este conceito. Em suma, a utilização de brinquedos
e de objectos de uso quotidiano para ilustrar ideias complexas, torna
os conceitos mais palpáveis e, por conseguinte, mais acessível
aos alunos. Pode colocar flores na coloração de alimentos
para ilustrar a acção capilar, atirar bolas de ténis
na sala de aulas para demonstrar os saltos ao acaso de um electrono excitado
num fotosistema, e comparar a limpeza de geleira para explicar o funcionamento
dos rins.
Exemplos da vida quotidiana proporcionam aos alunos um intervalo de rápido
andar de conteúdo exigente, e permitem-lhes visualizar ou manipular
os conceitos de forma diferente que, por sua vez, promove uma aprendizagem
mais efectiva.
AUTOR: Francine S. Glazer, Biologia,
Universidade de Kean, Union, Nova Iorque.
FONTE: Ensino no Colégio 46
no3 89 - Primavera de 98: O publicador da revista é o detentor
dos direitos de autor deste artigo que é produzido com autorização.
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