Mãos na Ciência: Aplicação de Manipulativos na Turma
O ensino de conceitos abstractos como a energia potencial e dinâmica, pode constituir um desafio para qualquer professor da escola elementar. Como pode estimular o interesse de crianças de tenra idade na exploração de disciplinas "secas"? Os estudos demonstraram que a melhor forma de introduzir ou reforçar conceitos científicos abstractos é através da utilização de manipulativos - pequenos objectos que podem ser tocados e movimentos pelos alunos, de forma a permitir que as descrições dos manuais venham ao vivo.

Quando a Associação da Divisão da Escola de publicadores Americanos fez um levantamento em cerca de 2000 professores sobre a sua aplicação dos vários tipos de materiais de instrução, os manipulativos classificaram-se em segundo lugar como um instrumento de ensino apenas para manuais. Os professores utilizaram-no muito mais frequentemente do que manuais, materiais originais, brochuras, videos, CD-ROMs, gravações audio. Slides ou apresentações de filmes, e simulações em computador. O levantamento revelou também que os manipulativos foram classificados como um instrumento de ensino "altamente efectivos" por aproximadamente 55 por cento do professores, em comparação com os 25% dos manuais de ensino.

APRENDER FAZENDO: Façamos uma revisão de como os alunos realmente aprendem o que lhes são ensinados. Se lhes for dada a oportunidade para experimentar, farão uso de todos os sentidos para descobrirem e digerirem princípios científicos para si próprios. Eles irão investigar formas para resolver problemas, falar sobre as suas soluções e as de outros alunos, e absorver procedimentos utilizados por outros. Aprender a ciência - ou qualquer outra disciplina - requer que os alunos façam uma conexão da nova informação, com o conhecimento e as capacidades anteriormente adquiridos. Mas nós devemos ter a certeza de que as conexões entre o conhecimento antigo e o novo sejam sólidos.

O meio eficaz de o fazer, é o de incorporar novas ideias e técnicas nas actividades de aprendizagem de pequenos grupos de alunos de trabalham cooperativamente com manipulativos. Estas iniciativas convidam o envolvimento activo dos alunos e permitem o professor acomodar de forma flexível o nível de desenvolvimento de cada aluno.

TRANSFORMAÇÃO DO ENSINO DA CIÊNCIA: O tipo das investigações a mão que possibilitam manipulativos é indispensável na instrução da ciência. Uma coisa é falar da energia potencial e dinâmica, por exemplo, e outra bem diferente é fazer corridas de veículos potenciados por molas ou burrachas numa rampa cercada de estudantes excitados. Na verdade, um dos aspectos mais satisfatórios da utilização de manipulativos na sala de aulas, do ponto de vista de um professor, é o alto nível de entusiasmo que gera este instrumento de ensino.

Um estudo feito a crianças de idade elementar, conduzido por Dorothy Singer, co-directora do Centro de Insvestigação e Consulta Televisivo da Universidade Familiar, confirma o valor de manipulativos como instrumentos educacionais. "Nós constatamos que mantinham as crianças envolvidas e entretidas... com um nível muito alto de atenção e concentração", reportou Singer. Em St. Rose of Lima School, em Haddon Heights, New Jersey, um recurso manipulativo relativament novo está a ser utilizado para ensinar os princípios da força, energia e moção. O instrumento de ensino de uma série de manipulativos, desenvolvida pela Divisão de Ensino K'NEX, consiste de 790 peças plásticas interligadas que podem ser utilizadas para construir um número de 6 diferentes carros de corrida. O guia de um professor proporciona planos de lição que encorajam solução de problemas abertos com experiências envolvendo a velocidade, a distância percorrida, o método científico, a previsão, a recolha de dados e formulação de gráfico.

MANIPULATIVOS DESTE TIPO permitem os alunos conceberem e experimentarem as suas próprias viaturas, num ambiente que encoraja interacção social. Na verdade, os alunos, utilizando estes manipulativos, exibiram vários sinais que indicavam desenvolvimento social positivo:

Cooperação e ênfase. Os estudantes davam sugestões uns aos outros, de forma amigável, reconhecendo essas contribuições.

Resolução pacífica de conflitos. Eles negociavam e faziam compromissos em torno dos acordos sobre vários aspectos do exercício.

Criatividade. Eles criaram variações de veículos de corrida, tal como motocicletas e bicicletas.

Auto-estima. Esles demonstraram um sentido de realização e satisfação. A aprendizagem é um processo inter-activo. Quanto mais avenidas das quais o conhecimento passavam nas mentes dos alunos, mais concreta era o seu entendimento. Quando a ciência se torna viva para a criança de tenra idade, o impacto extende-se muito para além da disciplina. Ela proporciona uma ligação firma à arte, música e programas de saúde, ajuda a desenvolver capacidades de leitura e matemática, e encoraja a escrita criativa. Os manipulativos ajudam isso a acontecer!

AJUDA EM CASA: Os manipulativos podem ajudar os alunos a pensarem de forma crítica e a ganharem confiança nas suas capacidades de resolver problemas. Consideremos os seguintes exemplos:
Para demonstrar a Primeira Lei de Moção de Newton, os alunos calculam a velocidade média com base nas suas observações de um mármore rolante. As respostas irão variar de acordo com a distância e a velocidade a que os mármores rolam.

Utilizando uma bola e uma raquete, os alunos podem observar a Segunda Lei de Moção de Newton, aumentando a força dos seus lances para fazer a bola rolar mais rápido e para mais longe.

O conceito da enércia torna-se visível quando os alunos lançam quatro ou cinco dominós e utilizam uma régua para bater o dominó baixo repetidamente, até que reste apenas um.

Um professor de ciência criativo pode demonstrar qualquer número de teorias científicas fazendo com que os alunos tragam consigo artigos como sabonetes, brinquedos de carro, balanças, palitos, cordas e moedas.


AUTOR:
ELAINE G. BERK
Elaine G. Berke é directora da Divisão Educacional de K'NEX em Hatfield, Pensilvania,
Jonathan A. Meyers.

FONTE: Director (Reston, Va.) 78 no4 52 + Março/99. O publicador da revista é detentor dos direitos de propriedade deste artigo que é produzido com autorização.