| Abstracto:
Neste capítulo, é explorada a ideia de diminuir "stress"
nos professores da ciência, criando "aldeias de escolas".
Uma aldeia de escolas é um pequeno grupo de escolas situadas dentro
da mesma área. A proximidade das escolas pretende maximizar a utilização
de recursos e promover a boa vizinhança. O arranjo da aldeia de escolas
propõe-se a ajudar a aliviar o "stress" de professores,
proporcionando-lhes mais apoio material através da partilha de recursos
e mais apoio social por vias de maior exposição aos colegas.
Esta ideia foi testado utilizando dados ou pedidos de 368 professores de
ciência nigerianos. O estudo constatou que relações
pessoais estimuladas entre professores em aldeias de escolas ajudavam a
reduzir os níveis de stress nas seguintes cinco categorias de pessoas
afectadas por stress: currículo, facilidades, características
dos alunos, crescimento administrativo e profissional e auto-safisfação.
Texto Completo: DIREITOS DE AUTOR:
Plenum Publishing Corporation, 1992
O interesse primário deste estudo reside na exploração
do potencial das relações pessoais em "aldeias escolares"
na redução de stress nos professores da ciência. O
conceito de aldeias escolares, que é de origem grega e que está
a ganhar ampla aceitação em vários países
do mundo, é constituído em torno da filosofia e utilização
máxima de recursos e do engendramento de espíritos comunitários.
Dados colhidos de 368 professores da ciência na Nigéria apontam
que as interacções entre os professores da ciência
nas "aldeias escolares" surtiram um importante efeito de depressão
sobre níveis de pressão em cinco grupos de pessoas com stress:
currículo, facilidades, características de estudantes, crescimento
administrativo e profissional e audio-satisfação. Faz-se
um levantamento das implicações dos resultados para o bem-estar
dos professores da ciência e para a preparação da
cidadania para um mundo dominado pela ciência e pela tecnologia
no século 21.
INTRODUÇÃO: O ambiente
em que o ensino e a aprendizagem são conduzidos, seja ao nível
da escola ou da sala de aulas, foi teorizado e impiricamente demonstrado
por forma a influenciar a atitude dos professores perante o trabalho,
a produtividade do professor e a aprendizagem dos alunos (vide revistas
do Fraser, 1989; Fraser, in Press, Fraser, Docker, & Fisher, 1988).
Ao nível de escolas, as constatações de vários
anos de investigação convergem em dar eminência à
matéria de interacções entre os professores, como
constituindo um factor importante nas discussões do ambiente escolar
(Borg, Riding, & Falzon, 1991).
A última década testemunhou um aumento marcado pela preocupação
quanto às questões sobre relações inter-pessoais
entre os professores (vide relatórios da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), resumidos por Johanson, 1989; Richter,
1989). Neste domínio de interesse, o stress ocupacional entre professores
é um assunto que está a merecer cada vez mais atenção.
Este nível maior de preocupação pode ser ligado aos
níveis reduzidos de realização dos alunos, tal como
indicado por estudos nacionais e internacionais, tais como a Avaliação
Nacional do Progresso Educacional nos EUA (Doran, 1990); a Avaliação
Britânica da Unidade do Desempenho (Doran, 1990) e o Primeiro e
Segundos Estudos Internacionais da Ciência (Helgeson, 1988) e a
Matemática (Phillips, 1983); Purves, 1989). Acredita-se que os
professores estão agora a ser sujeitos a um maior nível
de stress do que antes, uma situação que Kyriacou (1987)
considera como estando a ter efeito sobre a produtividade. Diz-se que
o equilíbrio na produtividade do professor traduz-se num nível
decrescente da realização dos alunos (Anderson, 1989; Helgson,
1988). Selye (1956), um dos primeiros trabalhadores na área do
stress, define o mesmo como uma resposta não específica
do corpo à exigência feita sobre ele para se adaptar (o que
ele chamou de Sindroma Geral de Adaptação). Algum stress
é considerado como sendo essencial para promover o crescimento:
o que Selye (1974) apelidou de "um dos ingredientes da vida".
O stress foi também definido como uma condição de
cansaço mental e físico que acontece como resultado de acontecimentos
de perseguição e elementos de insatisfação
no ambiente (Okebukola & Jegede, 1989). Numa nota específica,
o stress do professor foi definido por Kyriacou (1989) como experiência
infeliz dos professores, emoções negativas, tais como a
tensão, a ansiedade, a frustração, a zanga e a depressão,
resultantes de aspectos de trabalho enquanto professores. O stress leva
à baixa de desempenho no serviço - uma situação
que não pode ser tolerada nestes dias, quando estão a ser
procuradas para melhorar a qualidade do ensino nas nossas escolas. Dunham
(1984) identificou três abordagens importantes à compreensão
da natureza do stress no ensino. A primeira, baseada no "engenho"
do stress, analisa as soluções exercidas sobre os professores
nas escolas. A segunda, baseada no modelo "psicológico",
centra-se sobre a reacção dos professores a essas pressões,
por exemplo a frustração e as dores de cabeça. A
terceira abordagem, baseada no modelo "inter-acção"
do stress, prende-se com as pressões, reacções e
recursos que os professores utilizam nas suas tentativas para fazer face
ao stress. A investigação do stress nos professores indica
que a percepção da ameaça compreende duas etapas
principais (Kyriacou, 1989). A primeira etapa é quando as exigências
do trabalho são concebidas pelo professor como sendo difíceis
ou impossíveis de realizar de forma satisfatória. A segunda
etapa é quando o fracasso em realizar essas exigências do
trabalho de forma satisfatória é concebida pelo professor,
como sendo uma ameaça à sua auto-estima pessoal ou ao seu
bem estar geral.
No geral, as fontes mais frequentemente citadas de stress nos professores
são as seguintes: condições de trabalho pobres (Okebukola
& Jegede, 1989), maus comportamento dos alunos (Dunham, 1984), falta
de recursos para o ensino (Smilansky, 1984), sobrecarga de funções
de ensino (Payne & Furnham, 1987) e fraca atitude dos alunos para
com o trabalho (Kyriacou, 1987). Cox e Brockley (1984) deram a conhecer
os resultados de um estudo no qual constataram que 67% dos professores
indicaram, no seu modelo, que o seu trabalho era a principal fonte de
stress, contra 35% dos não professores no modelo. Cox e Brockley
(1984), concluíram que "o trabalho parece ser a principal
fonte de stress para pessoas no activo do trabalho, com os professores
a indicarem a maior experiência de stress através do trabalho,
em relação aos não professores" (p.84). A acrescentar
a esta literatura crescente, Coldicott (1985) demonstrou que "alunos
individuais difíceis" e "a tentativa de manter e elevar
padrões" criavam mais stress nos professores, no seu modelo,
de entre uma lista de 21 eventuais fontes de stress. No levantamento de
Wilkinson (1988), constatou-se que as grandes fontes de stress nos professores
eram a "dificuldade de realizar os padrões desejados nas aulas",
"falta de facilidades", "muita sobrecarga de trabalho diário",
e "os tamanhos da turma que eram demasiado grandes para as facilidades".
Um levantamento feito em 296 professores do ensino primário, conduzido
por Spooner (1984), também proporcionou uma lista de factores que
criam stress nos professores. Os primeiros factores na lista eram a "falta
de tempo com alunos individuais", "pouco tempo para se relaxarem",
"visitas dos inspectores", "tempo insuficiente para completar
o trabalho", e "tratar com os alunos que não cooperam".
Num recente estudo envolvendo 710 professores maltenses, Borg et al (1991),
demonstrou que os professores que registavam maior stress estavam menos
satisfeitos com o seu trabalho e não se engajavam tanto na escolha
da carreira do professorado para recomeçar toda uma vida.
Quando as manifestações das condições de
stress, Dunham (1984), indicou que "sentimentos de exaustão",
"irritabilidade", e "dores de cabeça causadas por
tensão", eram os indicadores mais frequentes do stress nos
professores. O estudo de Wilkinson (1988), em 60 professores, demonstrou
também que as reacções ao stress indicadas pelos
que responderam eram a "irritabilidade", "frustração",
"tensão", "ansiedade", e "sono perturbado".
No seu estudo sobre stress, Sopre (1984), utilizou cinco indicadores de
stress psicológico - a pressão sanguínea, o nível
de pulsação, o índice de transpiração
na palma, a resistência galvaniza da pele e o resultado de cortiços
urinário. Os resultados revelaram que essas medidas demonstravam
um aumento geral na resposta ao stress durante o tempo escolar, com períodos
de reduzida reacção do stress, durante as férias.
Spooner (1984) concluiu que a experiência do stress aumentava à
medida em que o ano escolar prosseguia.
Handy (1988) vê o stress, individualmente, como baseado numa experiência
afectuosa, causada por estressante percepção subjectiva.
O stress do professor, por outro lado, foi definido, por parte de uma
professor, como experiência de emoções infelizes,
tais como a tensão, frustração, ansiedade, zanga
e depressão, que resultam de acontecimentos ou situações
dentro de um ambiente de trabalho e ensino (Kyriacou & Sutcliffe,
1978).
O importante ponto de vista que, tradicionalmente, orientou a investigação
do stress, é de que todas as categorias de professores, sejam eles
da ciência, matemática ou humanitários, não
são diferentes na causa do stress sobre eles. A investigação
que é baseada neste ponto de vista, sempre negligenciou o facto
de que uma diferença pode realmente existir no que cria estresses
nas diferentes categorias de professores. Todavia, não existem
dúvidas da existência de alguns factores comuns de stress
para todas as categorias.
Tal como reivindica Hoover-Dempsy e Kendall (1982), o professor da ciência
está sujeito a um nível de stress muito maior do que os
outros professores. Os autores fundamentam as suas opiniões em
torno de três pontos. Em primeiro lugar, os estudantes em média,
acreditam que a ciência é difícil. A sua disposição
geral para com esta suposta disciplina difícil tem um grande potencial
para criar stress nos professores da ciência. Segundo, o ensino
da ciência envolvendo trabalho no terreno, a enfermaria e o laboratório,
é intensivo e difícil com artigos potenciais perigosos para
o professor. Em terceiro lugar, em vários países, a ciência
é encarada como uma coisa interna e, os centros de decisão
encorajam muito mais jovens a se inscreverem em cursos baseado na ciência.
Isto significa mais alunos para o professor da ciência e mais trabalho
e, consequentemente, mais stress. À medida em que o Século
21 se aproxima, o professor da ciência, mais do que os outros, é
convidado a dar todo o seu possível pelo facto de o Terceiro Milénio
estar sendo previsto para ser dominado pela ciência e tecnologia
(Eichinger, 1990; Kyle, 1989). Com efeito, os professores da ciência
devem atingir um alto ponto de produtividade por forma a que os cidadãos
se possam preparar para fazer face ao início da vida do ano 2001,
de forma mais efectivamente. Assim, se a questão do stress nos
professores tiver que ser abordada, deve-se então dar maior importância
à necessidade de responder a questão de stress nos professores
da ciência.
Várias linhas de investigação se convergem, indicando
que os professores têm stress a partir de factores pessoais e ambientais.
No domínio pessoal, uma importante fonte de diversão de
stress decorre de diferenças individuais na vulnerabilidade que
surte impacto nos estressados. Essas diferenças individuais podem
ser evitadas pelos grandes níveis de medidas de neuroticismo e
extroversão, e por medidas propensas para experimentar níveis
geralmente baixos de efeitos positivos e níveis geralmente altos
de efeitos negativos. Na área de factores ambientais, foram constatados
quatro grupos de variantes para stress nos professores. São eles:
(1) mau comportamento dos alunos; (2) fracas condições de
trabalho; (3) pressão do tempo; e (4) pobre ambiente escolar (Payne
& Furnham, 1987). Ao mesmo tempo que a investigação
do stress nos professores da ciência identificaram estressantes
que podem ser da categoria desses grupos, estressantes específicos
de cada grupo foram tidos como sendo amplamente diferentes para os professores
da ciência (Betkouski, 1981). Por exemplo, estresses que são
específicos nos professores da ciência são: "ter
que utilizar equipamento obsoleto para o ensino da ciência",
"a não existência de instrumentos seguros no laboratório",
"a falta de facilidades de manutenção do equipamento
laboratorial", "rendimento fraco dos alunos em disciplinas da
ciência relacionadas às suas disciplinas escolares",
"falta de material para os alunos utilizarem no laboratório,
tais como protectores", "receio dos alunos de se ferirem ou
contraírem doenças no laboratório" e o "não
pagamento de subsídio ao professores da ciência".
Uma evidência de esforços na investigação
do stress nos professores da ciência sugere estratégias tais
como a meditação e relaxamento, e engajamento em actividades
relaxante para paliação do stress (Betkouski, 1981; Penny,
1982). Estas pareceriam ser correcções pós-escolar.
Esforços muito parcos foram orientados às formas investigativas
de aliviar o stress durante as aulas. Esta linha de investigação
é importante na medida em que os estresses são expressos
durante as horas do ensino (Kyriacou, 1987). O relacionamento entre o
arranjo nas aldeias escolares e o nível de stress nos professores
da ciência foi examinado neste estudo.
O CONCEITO DA "ALDEIA DE ESCOLAS":
Uma aldeia de escolas é constituída por uma pequena
comunidade de escolas, normalmente entre duas a cinco, localizadas no
mesmo perímetro "Lipka, 1986). O conceito é de origem
grega, já que os gregos foram tidos como os criados de escolas
em grupo, basicamente para facilitar o desenvolvimento de boa vizinhança
e uma concorrência saudável entre jovens (Carrier, 1984).
Os romanos foram também tidos como tendo copiado o modelo dos gregos.
Em tempos modernos, os países comunistas demonstraram um grande
potencial em adaptar o modelo da aldeia de escolas. Até certo ponto,
Sri Lanka (Baker, 1989), Tanzânia (Moshe, 1988), Japão (Shimahara,
1986); Hiro, 1986; Duke, 1986) e Nepal (Sharma, 1989) tentaram utilizar
o modelo de aldeias de escolas.
O conceito da aldeia de escolas é formado em torno da filosofia
de utilização máxima de recursos e do engendramento
do espírito comunitário. Segundo Carrier (1984) e Sharma
(1989), os constituintes de escolas nas aldeias, em virtude da aproximação,
são capazes de associar recursos de tal forma que nenhuma escola
experimenta severa falta de recursos humanos e materiais. Tendo chegado
a acordo em relação ao calendário, as escolas podem
utilizar de forma mais eficaz os materiais de ensino e o seu pessoal existente
no seio da comunidade da aldeia de escolas, sem que cada escola necessariamente
perca a sua identidade. Deste modo, a "aldeia de escolas" pode
ajudar a reduzir o stress nos professores em duas fontes importantes:
(1) maior disponibilidade de apoio material através da partilha
de recursos; e (2) maior disponibilidade de apoio social por vias de contactos
extras com outros que partilham os mesmos valores.
Os elementos humanos numa aldeia de escolas - directores, professores,
pessoal de apoio e alunos, têm a tendência de desenvolver
uma boa medida da comunalidade (Carrier, 1984). Não fosse qualquer
outra razão, o facto de estarem juntos nas mesmas instalações
durante 6 horas por dia, é suficiente para criar o sentido da comunidade,
e o estabelecimento da aldeia de escolas começou a ganhar proeminência
na Nigéria, em 1979. A ideia da educação livre a
todos os níveis, que motivou a formação de tais escolas,
iniciou como uma questão eleitoral do Partido Nigeriano de Unidade,
naquele ano. Particularmente, no Estado de Lagos, a ideia deu aso ao estabelecimento
de aldeias escolares pela administração de Jakande, de 1979
- 1983, e foi melhorado pelo regime de Mudashiru, entre 1984 - 1986. Neste
momento, todo o governo local tem pelo menos seis aldeias escolares deste
tipo. Cada uma delas possui um mínimo de três escolas pertences
ao seu perímetro. Por sua vez, cada escola tem o seu próprio
director e, em média, existem 28 professores e seis 600 alunos
matriculados no ensino secundário e médio. Em média,
há 8 professores de ciência em cada escola. As facilidades
laboratoriais e oficinas de tecnologia introdutória são
proporcionadas para cada escola na aldeia.
O PROBLEMA: O interesse fundamental
neste estudo reside na exploração da dimensão da
relação pessoal das escolas em reduzir o stress dos professores
da ciência. O estudo foi estruturado de forma que a questão
de género dos professores da ciência e da localização
da escola, teorizada num anterior estudo (Okebubukola & Jegede, 1989),
de afectar o stress, pudesse também ser abordada. Nós esperávamos
que os professores da ciência nas aldeias escolares pudessem reportar
níveis mais baixos de stress, quando comparados com os professores
de ciência noutros estabelecimentos de ensino.
METODOLOGIA: Trezentos e sessenta
e oito professores de ciência modelos em 68 escolas foram seleccionados
ao acaso, a partir dos que vinham ensinando durante pelo menos três
anos. 195 dos professores (69 mulheres, 126 homens) estavam a ensinar
em 38 escolas localizados em 8 aldeias escolares. 4 das aldeias escolares
localizavam-se em áreas urbanas, enquanto que as restantes 4 ficavam
em zonas rurais. 173 professores (51 mulheres, 122 homens) vinham de aldeias
escolares não pertencentes às escolas (15 urbanos, 15 rurais).
Todas as escolas seleccionadas foram criadas em 1980 e tinham quase as
mesmas facilidades laboratoriais. Os 368 professores da ciência
tinham uma experiência comparável de ensino (6 - 8 anos)
e formação (bacharelato na sua disciplina de ensino com
uma qualificação na educação).
Inventário do Stress Ocupacional para os Professores da Ciência
(OSIST), desenvolvido por Okebukola (1988), foi utilizado para a recolha
de dados sobre o stress no professor da ciência. Este instrumento
foi desenvolvido a partir de uma versão anterior com 53 estressantes.
A versão utilizada neste estudo tem 25 estressantes com valores
que tinham um grande peso em cinco factores, denominados: currículo,
facilidades, características dos alunos, crescimento administrativo
e profissional, e auto-satisfação. Cada factor tem cinco
componentes de estressantes que manifestavam os cinco mais altos valores
característicos desse factor. Eis a lista dos 25 estressantes:
Currículo
1. Currículos sobrecarregados da ciência.
2. Períodos insuficientes no calendário escolar para o ensino
efectivo da ciência.
3. Ter que ensinar tópicos tradicionalmente diferentes.
4. Inadequação de bons manuais da ciência para utilização
dos alunos
5. Ter que ensinar disciplinas tais como ciência integrada, em relação
às quais um indivíduo não está especialmente
formados.
Facilidades
6. Ter que utilizar equipamento obsoleto para o ensino da ciência.
7. Demasiados alunos e equipamentos insuficientes.
8. Falta/insuficiência de material de instrução, tais
como projectores para o ensino da ciência.
9. Indisponibilidade de dispositivos de segurança no laboratório.
10. Falta de facilidades de manutenção do equipamento laboratorial.
Características dos alunos.
11. Roubo de equipamento e materiais laboratoriais pelos alunos.
12. Manifestada falta de interesse dos alunos na ciência.
13. Fraco rendimento do alunos na disciplina da ciência, relacionada
às outras disciplinas escolares.
14. Falta de material por parte dos alunos, para uso no laboratório,
tais como protectores laboratoriais e protecção para os olhos.
15. Falta de cuidados na utilização de material laboratorial,
que leva, às vezes, à quebra.
Administrativa
16. Cumprimento de decisões tomadas em consultas com os professores
da ciência.
17. Programação de aulas da ciência em períodos
inconvenientes.
18. Relutância dos directores em termos de disciplinar o mau comportamento
dos alunos.
19. verba inadequada para o departamento da ciência.
20. Ter que trabalhar com um director que não tem conhecimento da
ciência.
Crescimento profissional e auto-satisfação
21. Falta de oportunidade para participar em formação no serviço
22. Atraso na promoção
23. Não pagamento de subsídios aos professores da ciência.
24. Tempo limitado para descanso e relaxamento.
25. Receio de se ferir ou contrair doenças no laboratório.
Cada um dos 25 estressantes no OSIST é colocado numa escala de
4 pontos - stress extremo, stress moderado, stress ameno e nenhum stress
(seguindo Kyriacou, 1987). O respondente deve indicar, ou seja, assinalar
um ponto na escala dos estressantes alistados que lhe influencia. Foi
dada uma classificação de 4, 3, 2 e 1 para stress extremo,
moderado, ameno e inexistente, respectivamente. O âmbito de classificações
de 5 - 20 foi obtido para cada um dos cinco factores no OSIST e 25 - 100
para todo o instrumento. O âmbito de confiança de sub escala
(alpha) foi entre 0,69 e 0,91. O alpha para o instrumento inteiro do modelo
do estudo, foi calculado entre o,83. Foi administrado o procedimento OSIST
aos professores, durante visitas às escolas entre Janeiro e Fevereiro
de 1989. Foram levadas a cabo entrevistas de seguimento em 8 professores
no modelo - dois de aldeias escolares urbanas, 2 de aldeias escolares
rurais, 2 de aldeias escolares não urbanas e 2 de aldeias escolares
não rurais. Em cada caso, foram seleccionados um professor e uma
professora ao acaso. As entrevistas foram realizadas para esclarecer mais
as respostas das disciplinas. Cada entrevistado era solicitado a explicar
ou justificar a sua resposta a respeito de cada um dos 25 artigos que
constituíram OSIST. Mais tarde, as entrevistas gravadas em cassetes
audio foram transcritas e os protocolos foram utilizados para obter informação
mais aprofundada nos dados quantitativos colhidos pelo OSIST.
RESULTADOS: Foram obtidas três
classificações para cada respondente: a primeira referia-se
a cada um dos 25 estressantes, a segunda para cada um dos cindo factores,
obtido pelo acréscimo das classificações dos componentes
dos estressantes. Em terceiro lugar, a classificação global
foi computada acrescentando as classificações para os cinco
factores. Em seguida, dados referentes aos professores em aldeias escolares
e em escolas de aldeias não escolares, foram codificados e analisados
utilizando SPSSPC+.
[DADOS TABULARES OMITIDOS] Os dados do estudo foram sujeitos a uma ANOVA
de 2x2x2, na classificação do stress global para o tipo
de escola (aldeia e não aldeia), o género do professor (masculino
e feminino), e localização da escola (rural e urbana). Os
resultados revelaram que todos os efeitos principais foram significativos
para além de .05. O principal efeito devido ao tipo de escola registou
o mais alto valor-F e o maior significado estatístico [F (1,362)
= 18.96, p < .001]. Para o principal efeito genérico, a média
total do stress para o sexo masculino )49,63; SD = 5.83) e feminino (52.82
SD = 6.94) foi tido como sendo significativo ao nível .05 [F (1,362)
= 6,21]. O efeito principal da localização da escola foi
também significativo ao nível .05 [F (1,362) = 4,36]. Os
professores da ciência nas escolas rurais tiveram uma classificação
de stress média de 47,25 (SD = 4,89), enquanto que os das escolas
urbanas tiveram uma classificação de stress média
de 51,29 (SD = 6,96).
Inter-acções biunívocas entre tipo de escolas e
de género, e tipo de escolas e sua localização, não
ganharam significado estatístico. A inter-acção tri-unívoca
entre as três variantes foi, todavia, significativa para além
de .05 [F (1,362) = 5,08]. Uma análise mais profunda dos resultados
foi obtida comparando os resultados médios dos professores nos
estabelecimentos de ensino em aldeias e não aldeias em cada um
dos cinco factores no OSIST (vide Tabela 1). Constatou-se que os professores
de ciência de aldeias escolares manifestaram um nível de
stress mais baixo do que professores de aldeias não escolares em
todos os factores: currículo, facilidade, carácter dos alunos,
crescimento administrativo e profissional e auto-satisfação.
A maior diferença foi registada para estressantes nas facilidades.
Enquanto que os professores de aldeia escolares registavam um stress médio
de 5,20, os professores de aldeia não escolares tinham um stress
médio de 13,01. O significado estatístico desta diferença
foi demonstrado pelo valor-t de 15,60. A menor diferença entre
os professores de ciência em aldeias escolares e não escolares
foi tida como sendo na área do currículo.
[DADOS TABULARES OMITIDOS]: A Tabela II proporciona dados específicos
a estressantes sobre cada professor da ciência em aldeias escolares
e não escolares. Para estressantes curriculares, não foram
notadas diferenças significativas entre os dois grupos de professores,
a respeito de "currículo sobrecarregado da ciência",
"períodos insuficientes no calendário escolar para
o ensino efectivo da ciência", e "inadequação
de bons manuais de ciência para a utilização dos alunos".
Nesta categoria, duas variantes foram constatadas como criando, de forma
diferente, stress nos dois grupos. São elas "ter que ensinar
tópicos tradicionalmente difíceis" e "ter que
ensinar disciplinas como ciência integrada, em relação
às quais o professor não está formado". Dois
professores entrevistados, afirmaram que: ... nestes dias, ensinar tópicos
difíceis já não é um grande problema. Logo
no princípio do período, constatamos os tópicos em
relação às quais nos sentimos mais à vontade.
Quando chegarmos aos tópicos difíceis, convidamos o professor
experiente nesta matéria da ciência para nos ajudar em todas
as aulas (professor de aldeias escolares). ... Não tenho muita
confiança em ensinar a genética e a ecologia. Infelizmente,
estas constituem uma boa parte do currículo da biologia. Faço
todo o possível noutros tópicos (professor de aldeias não
escolares).
Constatou-te, tal como indicado na Tabela II, que os professores de ciência
em aldeia escolares e não escolares tinham importantes diferenças
de percepção do nível de stress criados por estressantes
ao nível de Facilidades. Quatro dos cindo estressantes nesta categoria
produziram importantes valores-t. Dados na Tabela II demonstram que os
professores da ciência nas aldeias escolares concebiam questões
relacionadas às facilidades como lhes causando menos stress. Isto
contrasta com os valores médios de alto stress registados nos professores
de ciência nas aldeias escolares. Entrevistas e inspecção
de facilidades em ambas as escolas, demonstraram que nas aldeias escolares,
o espalhamento de aulas práticas no calendário permitia
cada escola tirar vantagem de equipamento e material de outras escolas
em aldeias escolares. Por exemplo, enquanto que uma ou duas escolas estão
a ter aulas práticas da química das aldeias escolares, as
outras escolas estão engajadas noutras disciplinas. Este arranjo
permitia a partilha de materiais laboratoriais. Em alguns casos, tal como
reportado por alguns professores que foram entrevistados, o professor
numa outra escola que se sente mais livre, ajuda nas escolas em que a
disciplina está a ser ensinada.
Voltando, em seguida, para o estressante Característica de Alunos,
dados recolhidos a partir de um estudo demonstravam que "o roubo
de equipamento e material de laboratório pelos alunos" e "a
falta de materiais para os alunos utilizarem no laboratório",
apresentavam-se como estressantes baixos para os professores de ciência
nas aldeias escolares. Protocolos de entrevista demonstraram que os alunos
nas aldeias escolares agiam como "vigilantes" um para com o
outro, em consonância com o espírito comunal. Eles partilhavam
materiais e resistiam ao roubo ou à destruição de
equipamento laboratorial.
Não foi constatada qualquer diferença significativa entre
os dois grupos de professores a respeito da "falta de interesse na
ciência manifesta pelos alunos". É interessante notar
que um maior valor de stress foi constatado nos professores de ciência
nas aldeias escolares nesta variante. Para os estressantes do grupo de
variantes administrativas, não foi registada nenhuma diferença
significativa para os professores de ciência nas aldeias escolares
em três de cada quatro variantes. O mesmo padrão de resultados
foi constatado para estressantes no crescimento profissional e auto-satisfação.
Dois pontos serão aqui enfatizados: Primeiro, "orçamento
insuficiente para o departamento da ciência", facto que se
manifestou como sendo o maior estressante, com um valor médio de
3,08 para os professores de ciência de aldeias escolares e 3,06
para os de aldeia não escolares. Segundo, os professores de ciência
das aldeias escolares apresentaram um nível mais baixo de stress
para "tempo limitado para descanso e relaxamento". Tal como
revelado nas discussões com os professores, a inter-acção
cooperativa entre os professores da ciência nas aldeias escolares
libertavam os professores em tempos diferentes durante as horas das aulas
para um certo tipo de relaxamento na escola.
DISCUSSÃO: Logo à partida,
a principal lacuna metodológica do estudo (formato quasi-experimental)
deve ser reconhecida. As disciplinas não eram alocadas ao acaso
às aldeias escolares ou às aldeias não escolares.
Na falta de outra evidência, não pode ser posta de lado a
possibilidade de os professores nas duas condições se ferirem
em termos de características relevantes, por exemplo, motivação
intrínseca no ensino, nível de formação e
de experiência relevante, que poderá ter resultado nas diferenças
médias, tal como reportado nas experiência relacionadas ao
stress.
No que se refere à previsão do estudo, dados quantitativos
e qualitativos obtidos endossavam a correcção desta predição
de que os professores da ciência nas aldeias escolares irão
apresentar níveis médios mais baixos de stress, se comparados
com os professores da ciência noutros estabelecimentos de ensino
(vide Tabelas I e II). A ANOVA triunívoca revelou que os professores
da ciência nas aldeias escolares registavam um nível de stress
mais baixo
em comparação com os seus colegas noutras instituições
de aldeias não escolares, em 18 dos 25 estressantes.
Treze das diferenças médias entre os dois grupos de professores
foram consideradas estatisticamente significantes para além do
nível ,01. Entrevistas levadas a cabo junto de professores, proporcionaram
dados para ligar a fonte das diferenças ao arranjo das aldeias
escolares e relações pessoais. A entrevistas revelaram a
existência de apoio social e profissional entre os professores das
aldeias escolares. Este parecia ser o ingrediente activo predominante
das relações pessoais nas aldeias escolares.
Estes resultados podem ser explicados ainda pela hipótese moderadora
proposta por House (1981). Segundo a hipótese,. Indivíduos
com relacionamento de apoio são capazes de confiar noutros o tratamento
de situações de stress. Como resultado, o stress não
se faz sentir muito neles. Por outro lado, indivíduos que não
têm um relacionamento social de apoio são vulneráveis
ao stress. A evidência impírica (não proporcionada
como dados sólidos neste estudo) está a passar a apoiar
esta hipótese. Por exemplo, o estudo conduzido por Belcastro, Gold
e Grant (1982), indica que os professores que foram classificados como
sofrendo de stress e desgastados, passavam menos tempo com os seus colegas
de trabalho, contrariamente aos que não estavam nesta situação.
Zabel e Zabel (1982) reportou que os professores que pressentiam maior
apoio administrativo e de colegas sofriam menos stress. Por outro lado,
um levantamento de um modelo imprevisto de professores de ciência
em New Hampshire constatou que maiores níveis de inter-acção
entre colegas e apoio no trabalho pelos colegas, eram associados a níveis
menores de stress (Schwab, Jackson e Schuler, 1984). Num estudo mais recente
de 316 professores em Iowa, Russel e Van Velzen (1987), concluiram que
os professores que davam indícios de que tinham supervisores e
colegas que apoiavam, exprimiam um nível signicativamente baixo
de stress, quando comparados com os que não beneficiavam de tal
apoio. O arranjo de aldeias escolares e relações inter-pessoais
entre os professores em escolas, numa tal disposição, foram
tidos como proporcionando um a função de apoio aos professores
de ciência no estudo, com a eventual consequência de baixar
os seus níveis de stress. Dos cinco agrupamentos de stressantes,
os que se referem às Facilidades, foram tidos como senso os mais
vulneráveis à criação de stress nos professores
de ciência nas aldeias não escolares (Tabela II). A liberação
sobre o ensino da ciência está repleto de evidências
que documentam uma tendência global nas insuficiências de
facilidades e apelos de professores em relação a eventuais
efeitos de tal tendência sobre os seus esforços de ensino
(vide, por exemplo, Druger, 1986; Yager, 1986). Consequentemente, os arranjo
das aldeias escolares, de partilha de recursos, pareceria ter um grande
potencial na redução da magnitude dos efeitos da insuficiência
de facilidades em cada escola, incluindo o stress no professor da ciência.
Importa reconhecer que o apoio social é menos uma variante ambiental
e mais um recurso individual como a capacidade de poder aproveitar o tipo
de recursos sociais disponíveis.
Nas aldeias escolares, os professores faziam arranjos para maximizar
a utilização de recursos humanos e materiais disponíveis.
Os arranjos de calendário escolar permitiam empréstimo a
curto prazo de equipamento e material. Os professores com conhecimento
especializado de um tópico também disponibilizavam os seus
serviços para o ensino de tais tópicos noutras escolas da
aldeias escolares, se os professores regulares considerassem esses tópicos
difíceis de ensinar.
No conjunto, a qualidade de esforços colaborativos nas aldeias
escolares surtia um efeito de redução nas possibilidades
de acontecimentos capazes de criar stress nos professores de ciência
nas aldeias escolares. A variante género foi também interessante
neste estudo. Nós constatamos que os professores de ciência
do sexo feminino, no Modelo, tinham mais stress do que os seus colegas
do sexo masculino. Isto está em linha com as constatações
de Greenglass, Burke e Ondrach (1990). Acredita-se que as mulheres são
mais susceptíveis de se sujeitarem a um maior nível de stress
nas ocupações tradicionalmente concebidas como sendo do
nível masculino nas ciências, engenharia e tecnologia (Case
& Richardson, 1990). A maior exigência do trabalho, coadjuvada
com exigências caseiras, têm sido especuladas como sendo uma
explicação possível para esta situação
(Linskold, 1978; Long & Gessaroli, 1989).
O principal efeito devido à localização da escola,
foi tido como sendo significativo. Constatou-se que os professores urbanos
eram mais vulneráveis ao stress do que os das áreas rurais.
Isso está de acordo com o modelo de resultado sobre stress que
indica que os estressantes relacionados a situações e não
trabalho conjugam-se com stress ocupacionais nas cidades para exercer
maior stress nos trabalhadores urbanos em comparação com
as suas contrapartes rurais (Sparks, 1983). Não exploramos mais
a inter-acção do tipo de escolas, género do professor
e localização da escola, na medida em que o valor-F triunívoco
de inter-acção não conseguiu obter a importância
desejada.
Neste estudo, examinamos como as relações inter-pessoais
em aldeias escolares podem ser um factor que melita na rudução
dos níveis de stress nos professores de ciência, durante
o período escolar. Quer parecer que o conceito de aldeias escolares
não é um fenómeno mundial. Ao mesmo tempo, pode haver
um lado negativo à abordagem em termos de requisitos extra-viagem,
a necessidade de inter-acção e confiança em mais
colegas, bem como reuniões extras. Aqui reside o principal obstáculo
à generabilidade das constatações do estudo. Todavia,
o que se constatou claramente a partir do estudo é a evidência
de que esforços colaborativos e a partilha de recursos humanos
e materiais nesses tempos economicamente harmoniosos, têm um grande
potencial na redução do stress durante o período
escolar, particularmente entre os professores da ciência. Considerando
que a colaboração e a partilha de recursos podem ser um
fenómeno mundial, o impedimento à réplica deste estudo
e à generalidade das suas constatações podem não
ser tão duros. Talvez, se o modelo de aldeias escolares for adoptado
em muitos outros países, possam ser obtidas mais evidências
desses países e de outros em que tais modelos estão presentemente
a funcionar, quanto à eficácia das relações
intra-pessoais nessas aldeias escolares, em tornar o ensino da ciência
numa actividade excitante e de baixo nível de stress. Nessa altura,
podemos ser assegurados de maior produtividade e melhor preparação
dos cidadãos para um mundo dominado pela ciência e tecnologia
que é o Século XXI.
(1) Colégio de Administração de Negócios,
326 Baker Hall, Bradley University, Peoria, Illinois 61625.
(2) Pedidos para reimpressões devem ser dirigidos a Aaron A. Buchko,
Colégio de Administração de Negócios, 326
Baker Hall, Bradley University, Peoria, Illinois 61625.
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AUTOR: Peter Akinsola Okebukola.
FONTE: Relações Humanas,
Julho de 1992 v45 n7 p735 (17).
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