| Na Austrália, as pressões económicas,
sociais e educacionais levaram à colocação de importância
cada vez mais maior no ensino da tecnologia, à semelhança
do que aconteceu noutros países (Medway, 1989). A importância
da tecnologia no currículo escolar de todos os alunos da escola secundária
foi fortemente advogada (Vohra, 1987) e nos EUA, os objectivos de um currículo
efectivo foram delineados (Fricke, 1987). Mesmo assim, a questão
de como a tecnologia será incorporada no currículo e quem
irá ensiná-la, ainda está por se resolver (Gardner,
Penna & Brass, 1990). Há um movimento de separar a alinhagem
da tecnologia com o "comércio" ou disciplinas "técnicas"
e um esforço para colocá-lo numa posição mais
central do currículo. Todavia, como isso será feito, ainda
constitui fonte de grande debate. Na Inglaterra também houve uma
tensão considerável em torno das disciplinas que, no currículo
escolar, deviam encarregar-se da tecnologia. (Wollnough, 1988).
Na sua revisão de ensino de tecnologia nas escolas, Allsop e Woolnough
(1990) explicam que a tecnologia se desenvolveu ao longo de quatro diferentes
linhas, cada uma das quais com as suas próprias tradições
e características. A primeira abordagem é a dominada pelos
professores de arte, a segunda é a que inside sobre o avanço
da alta tecnologia, tais como computadores e electrónicos, a terceira
representa a tecnologia como um curso de engenharia ao nível do
ensino secundário, enquanto que a quarta encara a tecnologia como
uma disciplina da ciência. (Fensham (1990) descreveu como o ensino
da ciência ganhou uma perspectiva tecnológica crescente nos
anos de 1980 e 1990 e a palavra "tecnologia" é principalmente
utilizada por educadores da ciência para se referir à ciência
aplicada (Rennie, 1987), uma percepção não partilhada
pela maioria dos professores industriais e de arte. Certamente, os professores
da ciência podem desempenhar um importante papel no ensino da tecnologia
como ciência aplicada, modificando cursos em vias formais, digamos
Engenharia e Ciência em vez de Física, ou estendendo o currículo
da ciência por forma a envolver a concepção e a conclusão
de projectos investigativos e de construção (Black &
Harrison, 1985). Todavia, um parecer mais abrangente do ensino da tecnologia
considera-o como compreendendo quatro componentes - literatura, consciência,
capacidade e informação tecnológicas (Woolnough,
1988), alguns aspectos dos quais podem ser ensinados por todos os departamentos
de uma escola.
Recentemente, e em reconhecimento do papel mais amplo educacional que
a tecnologia pode desempenhar, o Ministério da Educação
da Austrália Ocidental convidou escolas a submeterem propostas
para a incorporação da tecnologia nos seus currículos.
Não foi dada qualquer informação específica
às escolas, mas ao invés, esperava-se que elas pudessem
apresentar programas que utilizavam conhecimentos especializados do seu
pessoal, respondendo às necessidades dos seus alunos e integrados
no contexto da comunidade local. Das 21 submissões, seis escolas
com êxito foram designadas como Escolas de Tecnologia pelo Ministério.
Elas receberam financiamento apropriado para implementar as suas propostas
em 1988 e 1989, e cada escola designou um coordenador de tecnologia para
supervisionar a implementação. Quatro das escolas eram de
nível superior com cerca de 700 e 1500 alunos na 8ª e 12ª
classes. Duas situavam-se na cida metropolitana, com mais de milhão
de pessoas, uma num distrito agrícola e outra numa comunidade mineira.
Duas escolas secundárias em distritos mais pequenos tinham alunos
entre a 1ª e 10ª classes: uma numa área remota tinha
cerca perto de 300 alunos, muitos dos quais com descendência aboriginais;
a outra com cerca de 200 alunos, situava-se numa área agrícola.
Como possivelmente esperado de seis escolas em diferentes localizações
e com diferentes clientelas, as propostas definiam amplamente em termos
do foco tencionado e das adaptações curriculares para incorporar
a tecnologia, e também nas percepções da tecnologia
sob a qual essas adaptações podiam ser faseadas. Consequentemente,
as escolas dispenderam o seu dinheiro de formas diferentes. Algumas escolar
alocaram a maior parte dos seus fundos no emprego de professores eventuais
para que os professores regulares pudessem ter uma libertação
"part-time" para a planificação, formação
no serviço e preparação de currículos. Outras
escolas investiram no equipamento que seviria para a implementação
das duas propostas de tecnologia.
A presente dissertação reporta uma avaliação
das abordagens e dos programas implementados em seis escolas de tecnologia.
As constatações são importantes, não só
porque o ensino da tecnologia é um interesse crescente e essas
iniciativas baseadas na tecnologia foram as primeiras a serem empreendidas
nas escolas da Austrália Ocidental, mas também porque identificação
das implementações frutíferas da tecnologia podem
proporcionar a orientação para outras escolas que desejem
introduzir a tecnologia nos seus currículos.
Método: A abordagem de avalilação
foi baseada no quadro originalmente iniciado por Stake (1967): julgando
o êxito ou o fracasso da implementação com base na congruência
entre as intenções do programa e as observações
do que foi eventuado. A eficácia do processo de implementação
foi avaliada em termos de: (a) o currículo pretendido, definido pela
forma como a tecnologia foi apresentada por declarações escritas
de política, materiais do currículo e do ensino; (b) o currículo
implementado, definido pela forma na qual as escolas incorporavam a tecnologia
nos seus programas; e (c) o currículo realizado definido em termos
do nível de coordenação entre o currículo tencionado
e implementado. Foi colocada ênfase na descrição dos
programas das escolas, em termos de contexto (antecedentes) e o processo
(transacções) em cada programa, ao invés de resultados
dos alunos , uma abordagem que reconhecia que os resultados finais raramente
orientavam a mudança (Stake, 1991). Por outro lado, fez-se reconhecimento
de ajustes graduais de professores com base nas suas experiências,
na medida em que progredia a implementação.
A avaliação foi concebida com um estudo de caso multi-sítios
(Merriam, 1988) com recolha de dados em duas fases. As escolas receberam
financiamento para as suas propostas durante o ano de 1988 para a implementação
dos seus programas durante 1988 e 1989. A primeira recolha de dados aconteceu
no fim de 1988 e a segunda no fim do ano escolar de 1990, para examinar
o âmbito a que os programas tinham continuado. Os dados foram recolhidos
através de questionários, entrevistas e análise de
documentos, Questionários foram dados aos coordenadores de tecnologia,
aos professores envolvidos no processo de implementação
e aos alunos que tinham experimentado o currículo implementado.
Durante visitas às escolas, os coordenadores e os professores foram
entrevistados, e documentos curriculares relacionados às propostas
originais das escolas e aos seus programas de tecnologias contínuos
foram examinados. Coordenadores de Dados Tecnológicos. Foram administrados
dois questionários abertos aos coordenadores de tecnologia, um
nos fins de 1989 e o outro pelos fins de 1990. O primeiro questionário
tratava da implementação tencionada e real da tecnologia
da escola, planificação e comunicação do pessoal,
recursos, arranjos financeiros e outras questões tidas como sendo
importantes. O segundo questionário era constituído por
duas partes. A primeira pedia reacções às próprias
declarações dos coordenadores de tecnologia feitas no ano
anterior, à luz do processo de implementação durante
o ano em curso. A segunda parte solicitava avaliação sucinta
dos próprios coordenadores de tecnologia no projecto.
Professores. Nos finais de 1990, os
professores envolvidos na implementação da tecnologia foram
solicitados a darem pormenores e quaisquer mudanças que terão
verificado no seu ensino e na aplicação de materiais que
estavam a utilizar.
Alunos. Por causa da variação
nas abordagens que tiveram lugar nas escolas, não havia um modelo
consistente dos esperados resultados dos alunos, que podiam ser utilizados
como base para a avaliação da mudança no seu rendimento.
Além disso, e tal como anteriormente descrito, o foco da avaliação
foi no contexto e no processo da mudança curricular. Ao invés
dos resultados finais dos alunos. Isso não obstante, um questionáio
que media atitudes para, e percepções sobre a tecnologia
foi utilizado numa tentativa para detectar qualquer mudança geral
nessas variantes que podiam ser associados à implementação.
O instrumento, chamado de Atitudes e Percepções sobre a
Tecnologia (APAT) , consistia de 31 pontos em 7 sub-escalas, nomeadamente
o interesse na Tecnologia, Carreiras na Tecnologia, Tecnologia é
Fácil, Importância da Tecnologia, Tecnologia como um Processo
de Concepção, Diversisdade na Tecnologia e Tecnologia como
Solução de Problemas. O questionário foi baseado
em investigação anterior nas ideias dos alunos quanto à
tecnologia, particularmente estudos transnacionais coordenados pela Tecnologia
dos Alunos Perante Atitudes (PATT) na Holanda (Raat & Vries, 1986;
Raat, de Klerk Wolters & de Vries, 1987; Raat, Coenen-van den Bergh,
de Klerk Wolters & de Vries, 1988; de Klerk Woters, 1989; de Klerk
Wolters, Mottier, Raat, & de Vries, 1989). Utilizando o quadro compreensivo
desenvolvimento nos estudos PATT, que não estavam ligados a um
currículo particular, foi possível examinar uma ampla gama
de eventuais atitudes e percepções quanto à tecnologia.
Experiências do questionário incluíram adaptações
nas frases para se enquadrar ao currículo local para idades entre
os 11 e os 15 anos. O desenvolvimento e a validação do instrumento
descrito por Rennie e Treagust (1989). Os questionários dos alunos
foram administrados em cinco das seis escolas nos princípios e
nos fins de 1990. Para cada escala, os artigos foram codificados por forma
a que os valores mais altos representassem atitudes mais positivas. As
notas maiores variavam de 0,63 (para a escala de importância de
dois artigos) a 0,89 (para a escala de interesse de 7 artigos) neste estudo.
Comparações estatísticas entre os testes preliminares
e posteriores foram feitas utilizando medidas repetidas para análises
de variação.
Visitas às Escolas. Os avaliadores
visitaram uma vez as escolas do interior, e várias vezes as escolas
metropolitanas, para discutir o processo de implementação
com os coordenadores, professores e alunos. As visitas foram utilizadas
como oportunidades para confirmar ou refutar dados recolhidos por questionários
e também para examinar a documentação curricular
relevante nas escolas.
Resultados. Cada uma das seis Escolas
de Tecnologia adoptou a sua própria abordagem à matéria.
Os planos para a implementação da tecnologia foram afectados
pela localização da escola, variações no tamanho
e na natureza da sua população de alunos e contexto da comunidade.
Ligadas a estas diferentes abordagens, estiveram as diferenças
nas percepções quanto à natureza da tecnologia por
parte do pessoal que era descernível nos modos da mudança
curricular tencionada, a forma como essas mudanças estavam a ser
implementadas e a destribuição de fundos para apoiar. Os
resultados da avaliação dos diferentes programas são
reportados na Tabela I, como um resumo das constatações
de fundo dos currículos tencionados, implementados e realizados
de cada escola em relação à tecnologia. Os resumos
para cada escola são expandidos e pontos importantes aglomerados
na discussão seguinte. Eastern Metropolitan Senior High School.
Esta escola de aproximadamente 700 alunos, serve de uma classe predominantemente
trabalhadora e de uma comunidade multi-cultural. Esta escola escolhe a
definição de trabalho para a tecnologia adoptada pela UNESCO
(Vohra, 1987). Nomeadamente, que a "Tecnologia é o conhecimento
e o processo criativo que pode utilizar instrumentos, recursos e sistemas
para resolver problemas capazes de estimular o controlo sobre o ambiente
natural e de criação humana [sic] num esforço para
melhorar a condição humana" (p.415). A implementação
da mudança curricular com base numa tal percepção
da tecnologia era dirigida ao desenvolvimento de uma gama de capacidades,
incluindo abilidade de pensamento, e o enconrajamento dos alunos a utilizarem
as mesmas capacidades quando confrontados com situações
novas ou problemáticas. Logo à partida, houve um debate
considerável entre professores séniores sobre a melhor abordagem
a assumir. Havia uma convicção de que para se ter êxito,
o programa tinha que ser implementado numa base de escola inteira, porque
uma abordagem fragmentada em algumas disciplinas não era susceptível
de proporcionar oportunidades suficientes para as abilidades a serem aprendidas
e praticadas. Além de mais, os alunos precisavam de ter experiência
utilizando as capacidades para apreciarem a sua transferabilidade a situações
diferentes. O modelo adoptado incluía os quatro aspectos da consciência
tecnológica, conhecimento tecnológico, tecnologia de informação
e capacidade tecnológica (Woolnough, 1988), bem como capacidades
transferíveis (solução de problemas), cada uma das
quais podiam ser integradas nas diferentes áreas do currículo.
O pessoal de ensino de diferentes disciplinas podia então contribuir
para este modelo, escrevendo objectivos adequados de ensino para as suas
próprias disciplinas. Pormenores de como isso foi feito são
descritos por Treagust e Mather (1990).
Porque adoptou uma abordagem da escola inteira à implementação
da tecnologia, a Eastern Metropolitan Senior High destinou aproximadamente
todos os seus fundos à libertação dos professores,
permitindo o coordenador cumprir o seu papel de liderança e os
professores escreverem ou modificarem o seu próprio currículo.
Outro dinheiro foi gasto em recursos tais como livros e material audio-visual.
À excepção de um pequeno montante de tempo de libertação
para o coordenador em 1990, os fundos do projecto da escola foram utilizados
nos fins de 1989 e os cursos relacionados à manutenção
do programa da tecnologia vieram de outras fontes. Apesar da perda de
várias pessoas chave ao longo dos últimos três anos
e as mudanças do Director, o programa da tecnologia continuou com
duas confianças discerníveis. O primeiro á a tecnologia
como um processo de concepção ou uma abordagem de solução
de problemas que aparece como um tema intrigante entre as várias
disciplinas e o segundo é a modificação no currículo
escrito para enfatizar os produtos e o impacto da tecnologia sobre a sociedade.
As constatações do questionários dos estudos de APAT
foram consistentemente positivos, mas poucas das diferenças pré-teste
- pós-teste foram estatiscamente significativas.
A Eastern Metropolitan Senior High julga-se tendo sido bem sucedida na
sua implementação de tecnologia, e atribuiu uma tarefa de
manutenção de ímpetos tecnológicos a um funcionário
designado. Além disso, um Centro de Informação Tecnológica
equipado por uma parceria com uma grande companhia de computadores, e
um novo sistema inovativo de formulação de currículo,
são projectos que resultaram do ambiente de apoio na escola. Southern
Metropolitan Senior High School.
Esta grande escola metropolitana cobre mais de 1.400 alunos do ensino
médio. A escola adoptou a mesma definição de tecnologia
da UNESCO que a de Eastern Metropolitan Senior High, e implementou a tecnologia
numa base ampla. A maior parte dos fundos para o projecto da tecnologia
foi dirigida à libertação dos professores para tarefas
de ensino. O coordenador da tecnologia deve uma libertação
eventual para parte da vida do período original do financiamento,
para ajudar outros professores a desenvolverem as suas ideias e a ensinarem
as turmas, enquanto os professores trabalhavam nas modificações
curriculares. O coordenador manifestou preocupação no fim
de 1989, em como a implementação da filosofia da tecnologia
em toda a escola era difícil e geralmente um novo processo, porque
levava muito tempo para os professores aceitarem o raciocínio subjacente
à implementação da tecnologia.
Nos finais de 1990, estava evidante que a tecnologia tinha sido incluído
em várias disciplinas do currículo. Em algumas delas, a
tecnologia era encarada como uma forma de pensar na solução
de problemas e mudar os métodos dos professores que permitia os
alunos a desenvolverem abilidades de pensamento. Além disso, a
escola tem um programa extensivo centrado em torno da informatização
como resultado do seu empreendimento conjunto com uma importante companhia
de computador. Uma gama de iniciativas baseadas em escolas criou uma atmosfera
de apoio e a tecnologia passou a ser o foco para essa mudança.
Ganhos feitos alunos da 8ª classe, mas não outros, no questionário
APAT sugeriu que a tecnologia influenciava particularmente os alunos quando
entrassem na escola.
Escola Secundária Sénior Rural.
Esta escola do interior tinha cerca de 800 alunos de comunidades agrícolas.
A escola adoptou uma definição de tecnologia que colocava
ênfase sobre a tentativa humana de empreender a matéria,
energia e informação e o tencionado currículo incluía
uma grande variedade de projectos para desenvolver o conhecimento tecnológico
em todas as disciplinas. Foi coloca ênfase sobre a compreensão
da ciência e tecnologia e seus efeitos sobre a sociedade. Cerca
de dois terços dos fundos foram acumetidos à compra de material
e apoio técnico e modificações curriculares foram
feitas em quase todas as disciplinas.
Até os finais de 1989, quando os fundos originais tinham sido
gastos, tinha sido feito progresso na maior parte das áreas, à
excepção do projecto sensível da área remota
onde os problemas de material não tinham sido resolvidos durante
aproximadamente dois anos. Embora quase todas as iniciativas da tecnologia
terem sido implementadas até 1990, as respostas dos alunos ao questionário
APAT resultaram praticamente insignificantes em termos estatísticos.
Afora os problemas relacionados aos cumputadores, a maior parte dos atrasos
era causada pela falta de tempo para fazer modificações
de currículos. A continuação, pela escola, do seu
próprio programa podia ser atribuído ao sentido da escola
a respeito da propriedade do programa e a presença contínua
de, e direcção dada por, coordenador de tecnologia, embora
os fundos para a sua libertação não tivessem sido
disponibilizados em 1990.
Escola Média Sénior do Interior.
Esta escola está localizada numa área mineira distante da
área metropolinata, onde muitos dos seus aproximadamente 1000 alunos
são passageiros e há muito pessoal que aparece anualmente.
A escola incidiu na tecnologia como a aplicação da "ciência
apropriada" para empregos, para que eles pudessem ser completados
mais facilmente, e envolvia professores de diferentes disciplinas para
desenvolver temas tecnológicos - em Artes Industriais, Ciência,
Estudos Bibliotecários e Impresa. Os seus fundos eram divididos
entre a libertação dos professores para modificações
curriculares, equipamento apropriado e deslocações (incluindo
compra de sobressalentes de um autocarro para o transporte dos alunos
para actividades fora do campo).
Foram introduzidas duas novas unidades do currículo da ciência,
relacionadas à mineração nas 9ª e 10ª classes,
e foi procurada contribuição do pessoal das minas para ajudar
os professores a fazerem mudança de currículo. A tecnologia
era considerada como sendo parte integrante do programa das Artes da Indústria
e um dos professores ensinava a electrónica e robots como unidades
baseadas na tecnologia. Uma característica notável dos resultados
dos alunos da APAT foi de os resultados mais positivos se registaram na
10ª classe, talvéz reflectindo a introdução
das novas unidades na 9ª e 10ª classes. Desde que o seu financiamento
específico para a tecnologia cessou, em 1989, Country Senior High
continuou a prosseguir a tecnologia na ciência e nas artes industriais,
mas não houve um senso de escola - aceitação ampla
de que a escola é uma Escola de Tecnologia.
Escola Secundária Distrital do Interior:
Esta pequena escola de menos de 300 alunos está localizada
numa área remota da Austrália Ocidental, tem frequentes
mudanças do pessoal e um alto nível de percentagem de alunos
desistentes. Parcialmente, por causa de mudanças frequentes do
pessoal, os alunos não completaram o questionário APAT.
A tecnologia incidia nas mudanças na sociedade e as intenções
das escolas eram de integrar cinco projectos em áreas curriculares
diferentes. Quatro dos projectos iniciaram-se, mas dado a uma grande saída
do pessoal (incluindo do coordenador de tecnologia original) entre 1988
e 1989, só dois projectos restaram: a aplicação de
computadores, tanto para o pessoal, como para os alunos, e um fraco projecto
pastoral de tecnologia. O professor responsável pelo projecto de
tecnologia baixa é o "único sobrevivente" da inicial
planificação de tecnologia e, esta foi a única tecnologia
que permaneceu até 1990.
Escola Secundária do Distrito Central:
Esta pequena escola distrital matriculou aproximadamente 200 alunos numa
área agrícola. Ela adoptou uma inteira abordagem escolar
à tecnologia com base na definição da UNESCO )Vohra,
1987). A escola adquiriu um computador incorporando CD-Rom para melhorar
recursos tendentes à pesquisa e equipamento para publicação
desktop, e todos os alunos tiveram oportunidade de utilizar essas facilidades
como parte das suas disciplinas normais. Cerca da metade dos fundos da
tecnologia foi aplicada na compra de equipamentos e, quase um quarto foi
utilizado para a libertação dos professores. Todo o pessoal
participou em sessões no serviço, em 1988 e 1989 para tratar
dos aspectos curriculares da implementação da tecnologia
e o uso do novo equipamento. As respostas dos alunos ao questionário
APAT indicaram atitudes muito positivas; todavia, com pequenos números
de alunos em cada nível, não foram administrados quaisquer
testes estatísticos significativos. Em 1990, o programa da tecnologia
foi posto (em suspenso), porque a recessão rural e os números
de alunos que não conseguiram resultados positivos afectavam a
viabilidade da calendarização de algumas unidades curriculares.
Discussão: Terá o currículo
tencionado sido implementado e os resultados pretendidos alcançados?
Os resultados da avaliação sugerem que três escolas
realizaram, até certo ponto, os objectivos que tencionavam a título
de Escolas Tecnológicas. Estas escolas - Eastern Metropolitan Senior
High, Rural Senior High and Southern Metropolitan Senior High - cada uma
delas com características particulares, podem ser instrutivas a
outras escolas que pretendem implementar a educação da tecnologia.
Por uma ou outras razões, as três escolas não foram
capazes de cumprir com os seus objectivos declarados para se tornarem
numa escola de tecnologia. Ao mesmo tempo que estas escolas - Country
Senior Hig, Remote District High e Central District High - não
conseguiram realizar todos os seus objectivos, registaram-se vários
aspectos importantes que contribuiram para a situação. Uma
análise cuidadosa desses aspectos podem identificar obstáculos
potenciais para escolas que tentam alcançar uma mudança
curricular da tecnologia baseada em escola.
O que é que impediu a realização dos obstáculos
tencionados? Nas três escolas frutíferas, os principais factores
que impediram a realização dos resultados previstos foram
o alto nível da dependência do projecto no iniciador e no
coordenador original, o alto grau de desistência do pessoal e a
falta de articulação entre o pessoal e aqueles que deixavam
a escola. Em todas as três escolas, o coordenador tecnológico
incial foi capaz de implementar as actividades tencionadas a curto prazo
mas, porque essas actividades dependiam tanto dele, uma vez terminada
a escola, vários aspectos dos projectos não eram continuados.
Na Country Senior Hig School, algumas iniciativas de tecnologia permaneciam
na Ciência e Actos Industriais, embora não houvesse coordenação
entre as duas disciplinas. Os professores envolvidos reconheceram a necessidade
de proporcionar alguma coordenação geral, à semelhança
do recém nomeado director, em 1990, mas não foi tomada qualquer
decisão para financiar uma tal posição dentro da
escola. A Escola Secundária Remota tinha uma iniciativa variante
de tecnologia no Projecto de Tecnologia Baixo que dependia de um funcionário
que havia estado na escola durante alguns anos. Os outros projectos não
continuaram porque não havia qualquer comunicação
entre o pessoal que entrava e o que saía da escola, particularmente
entre o director adjunto cessante que era o coordenador da tecnologia
e a sua sucessora. A Escola Distrital Central tomou a decisão de
suspender oficialmente o projecto da tecnologia, pois que não havia
conhecimento especializado relevante entre o actual pessoal da escola.
Que aspectos contribuiram para o sucesso dos resultados finais? O êxito
da implementação da tecnologia deveu-se à comunicação
efectiva entre o pessoal e a devolução da responsabilidade
para a pretendida mudança curricular do coordenador aos professores
individuais e/ou departamentos nas várias disciplinas. Uma comunicação
efectiva e a atribuição de responsabilidade registaram muitos
êxitos na Escola Secundária Metropolitana Oriental onde,
como resultado de uma abordagem geral coordenada pela escola, quase todas
as disciplinas do currículo escolar foram envolvidas no ensino
da tecnologia. Uma característica do programa da tecnologia neste
escola foi o alto nível de comunicação entre o pessoal.
Ao longo do período de implementação, o coordenador
manteve encontro frequentes com um conselho consultivo de funcionários
séniores na escola e algumas pessoas de fora. Além disso,
o coordenador este sempre a par dos acontecimentos nas diferentes disciplinas
através de encontros frequentes com o pessoal chave e organizando
os professores nos serviços, ajudando-os a trabalhar no que eles
estavam engajados. A abordagem da Escola Secundária Metropolitana
Oriental à implementação da tecnologia, ilustrou
a sua força no fim de 1989, quando o coordenador original foi transferido
da escola, mas o ímpeto continuou por causa da comunicação
efectiva e o apoio dentro da escola. A decisão de desenvolver e
implementar uma abordagem que envolvia todos os professores de todas as
disciplinas, de acordo com as suas áreas de interesse, parece ter
sido compatível com o ambiente de trabalho na escola.
A força da abordagem da devolução foi também
eveidente na Escola Secundária Metropolitana do Sul que tem um
grande número de pessoal. O director apoiava muito o foco da tecnologia
da escola e assumiu um papel de liderança na expansão de
aspectos informáticos do currículo. O coordenador da tecnologia
assistia os professores individuais na implementação de
alguns aspectos da tecnologia nos seus currículos e, esta abordagem
pessoal pareceu ser, pelo menos, parcialmente frutífero. Porém,
quando isso era feito sem coordenação entre o pessoal das
várias disciplinas, o foco desta iniciativa era perdido quando
o professor deixasse a escola. O Departamento de Estudos Sociais tinha
uma abordagem coordenada em todas as unidades, a todos os níveis
da escola, e a ênfase era de utilizar a tecnologia como uma forma
de pensamento, envolvendo a solução de problemas e análises
de críticas. Quando o coordenador inicial se encontrava de férias,
durante o ano de 1990, o foco da implementação foi retido,
embora se tivesse registado uma redução na actividade, em
parte por causa da transferência do pessoal em alguns departamentos
disciplinares e pelo facto de o coordenador alternativo para 1990 apenas
ter tido tempo livre parcial para o ensino. Todavia, porque o pessoal
em algumas disciplinas já tinham começado a mudar os seus
métodos de ensino para colocar ênfase sobre os objectivos
da tecnologia, essas iniciativas foram capazes de continuar. O envolvimento
activo do coordenador da tecnologia com os professores em toda a escola,
e a sua presença contínua (ou o papel assumido por outra
pessoa na sua ausência) contribuiram grandemente para a abordagem
da escola aos vários objectivos pretendidos. É concebível
que, por exemplo, o Country Senior High tivesse alcançado um êxito
muito maior na realização dos objectivos da tecnologia,
se uma pessoa tivesse assumido o papel do coordenador de tecnologia temporária
ou permanentemente, depois de o coordenador inicial ter saído da
escola.
A abordagem de devolução na Escola Secundária Rural
foi também eficaz. O coordenador de tecnologia desempenhou um papel
crucial na planificação da submissão original para
a escola ser uma Escola Tecnológica e as actividades foram coordenadas
e supervisionadas por ele durante a sua implementação, embora
em 1990 ele tivesse tido menos tempo para se dedicar ao projecto, devido
às suas outras responsabilidades como director adjunto de alívio.
O progresso durante 1990 podia ter sido continuado se o efectivo do pessoal
tivesse sido tão substancial como o da Escola Secundária
Distrital Remota ou Country Senior High School. O foco da tecnologia da
escola compreendia iniciativas separadas administradas por departamentos
individuais com o coordenador a garantir que essas actividades recebessem
a visibilidade entre todos os membros da comunidade escolar. Essa visibilidade
era aparente, embora um buletim informativo regular para manter os colegas
de ensino informados sobre as actividades e os acontecimentos na esfera
da tecnologia, através da escola e actividades tais como "Semana
da Tecnologia" que tinham lugar em Outubro de cada ano. Durante essa
Semana, diferentes actividades eram organizadas na hora do almoço
para os professores e os alunos observarem, e grupos de alunos visitavam
escolas primárias locais para explicar e demonstrar a ciência
e actividades tecnológicas.
Havia uma percepção entre os professores de todas as três
escolas com êxito, que "esta é uma Escola de Tecnologia
e nós estamos a fazer algo diferente e importante com os nossos
programas, em comparação com outras escolas". Depois
de o foco sobre a tecnologia da escola ter sido suficientemente claro,
e alguns professores que não os coordenadores terem registado êxito
e terem assumido responsabilidade pelo que estavam a fazer, então
houve ímpeto suficiente na escola para garantir que, com supervisionamento,
encorajamento e assistência por parte do coordenador, o processo
de implementação pudesse continuar. As duas Escolas Secundárias
Metropolitanas Oriental e do Sul desenvolveram um estatuto no seio das
suas comunidades como uma "Escola de Tecnologia" em relação
aos empreendimentos conjuntos visíveis com grandes companhias de
computador. O financiamento para esse aspecto do seu foco de tecnologia
não veio directamente do original orçamento do Ministério
da Educação, mas os fundos serviram de base para proporcionar
climas que nas escolas eram receptivos a tais empreendimentos conjuntos.
Conclusão: As preocupações
sobre como e onde a tecnologia pode ser implementada no seio de um currículo
escolar foram parcialmente abordadas pelas seis escolas designadas por
Escolas de Tecnologia, pelo Ministério da Educação
da Austrália Ocidental. As quatro escolas maiores tentaram introduzir
a tecnologia numa base generalizada, com diferentes níveis de êxito.
Nas Escolas Secundárias Metropolitanas Oriental e Austral, nas
Escolas Secundárias Rural e do Interior, o Departamento da Ciência
em cada uma delas introduziu a tecnologia nos seus currículos,
principalmente a título de ciência aplicada, mas certamente
tratando de aspectos de capacidade tecnológica. Na Escola Secundária
Distrital Remota, o Projecto de Tecnologia Baixa, tem uma orientação
científica com o seu foco na indústria pastoral local. As
escolas que registaram maior êxito na introdução da
tecnologia nos currículos envolveram vários, senão
a maior parte dos departamentos na escola. Os departamentos incorporaram
esses aspectos de tecnologia nos seus currículos que foram considerados
como sendo os mais relevantes às suas disciplinas individuais.
Apenas a Escola Secundária Metropolitana Oriental desenvolveu os
objectivos com base nas quatro componentes do ensino da tecnologia descritos
po Woolnough (1988).
No geral, os resultados da avaliação identificaram três
factores importantes e cruciais para o êxito das iniciativas curriculares
baseadas na escola em termos do ensino da tecnologia. Primeiro, há
a necessidade de coordenação contínua de uma pessoa
que tenha os recursos (particularmente tempo) para reflectir sobre, e
manter uma panorâmica do que está a acontecer na escola.
Em segundo lugar, deve haver uma documentação minuciosa
sobre o que se pretende e o que está a acontecer, para que a faculdade
(particularmente uma nova faculdade) esteja sempre informada quanto à
direcção e ao progresso. Por último, o sucesso requer
tempo, tempo para a faculdade aceitar a propriedade do programa, tempo
para planificar modificações aos seus currículos
e estratégias de ensino, tempo para implementar essas mudanças
e tempo para que estas sejam reflectidas nos resultados finais dos alunos.
REFERÊNCIAS:
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tecnologia à ciência nas escolas inglesas. Jornal de Estudos
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Eindhoven, Holanda: Autor.
De Klerk Wolters F., Mottier, I., Raat, J., & de Vries, M. (Eds.)
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AUTORES: David F. Treagust e Leonie
J. Rennie.
David F. Treagust e Leonie J. Rennie são professores associados,
Centro da Ciência e Educação da Matemática,
Universidade Tecnológica de Curtin, Perth, Austrália Ocidental.
A avaliação de seis escolas de tecnologia foi possível
graças a uma concessão do Ministério da Educação
da Austrália Ocidental. Todavia, as interpretações
dos resultados finais da avaliação são da pertença
dos autores.
FONTE: Jornal do Ensino da Tecnologia,
Vol. 5 no. 1,. Direito de autor da Primavera de 1993, Jornal do Ensino
da Tecnologia ISSN 1045-1064. A autorização é dada
para copiar qualquer artigo ou gráfico, desde que seja concedido
crédito e as cópias não se destinam à venda.
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