| Cada criança é uma pessoa individual,
que se desenvolve ao seu próprio nível e de acordo com necessidades,
capacidades, interesses, influência cultural, padrões de aprendizagem
e comportamentos diferentes. Algumas crianças aprendem numa base
essencialmente visual, enquanto que outras aprendem numa base auditiva.
Algumas preferem aprendizagem individual, enquanto que outras aprendem melhor
em grupos. Além disso, diferentes estilos e estratégias de
aprendizagem, são exibidas em idades diferentes, quando estiverem
a aprender disciplinas diferentes ou quando estiverem confrontadas com diferentes
tipos de problema. Essas diferenças, por conseguinte, devem ser tomadas
em consideração na selecção de métodos
de ensino apropriados e actividades na turma. Esta secção
proporciona uma panorâmica de diferentes métodos de ensino
e aprendizagem e proporciona sugestões práticas para a sua
implementação na turma.
Aprendizagem competitiva, individualística
e cooperativa: Em qualquer situação social, há
três formas diferentes pelas quais as pessoas individuais podem
relacionar-se com a outra. Elas podem competir para ver quem é
melhor, agir independetemente sem inter-agir com outros, ou trabalhar
juntos para realizarem objectivos partilhados (Johnson & Johnson,
1994). Essa inter-dependência social existe continuamente. Por conseguinte,
é importante que as crianças aprendam a funcionar efectivamente
em todos os três tipos de situações sociais. Aprender,
em qualquer área disciplinar, pode extenuar os esforços
competititvos, individualísticos e/ou cooperativos dos alunos.
Por exemplo, os professores podem estruturar as suas aulas para que os
alunos:
Se engajem em lutas de vitória-derrota
para ver quem é o melhor, utilizando uma abordagem competitiva
para a aprendizagem.
Trabalhar independentemente para realizar
metas ao seu próprio nível e no seu próprio espaço,
a fim de estimular esforços individualísticos.
Trabalhar cooperativamente em grupos, garantindo
que todos os membros dominem o material atribuído para a tarefa.
A competição é baseada numa excassez concebida e
em comparações sociais. Quando se exige a competição
entre os alunos, estes trabalham um contra o outro para realizar uma meta
que apenas um ou pouco alunos podem realizar. Esforços individualísticos
são baseados na independência e no isolamento um dos outros.
Assim, quando os alunos trabalham individualmente, aprendem a realizar
metas de aprendizagem não relacionadas às dos outros. Por
último, a copeeração é baseada em acções
conjuntas para realizar objectivos mútuos. Quando estiverem a cooperar,
os alunos procuram resultados que sejam benéficos tanto para si
próprios, como para outros membros do grupo (Johnson & Johnson,
1994).
Resultados de investigação (Johnson & Johnson, 1994)
indicam consistentemente que a aprendizagem cooperativa é uma das
formas mais importantes e poderosas para estruturar situações
de aprendizagem. Promovem maior realização de aprendizagem,
mais relacionamentos positivos inter-pessoais e maior auto-estima do que
esforços competitivos ou individualísticos. Porém,
isso não significa que a aprendizagem competitiva e indiviualística
devam ser abandonadas. Cada abordagem de aprendizagem - competitiva, invidualística
e cooperativa - tem o seu próprio mérito no processo de
aprendizagem. Quando aplicada de forma apropriada, essas capacidades de
inter-dependência formam um conjunto integrado.
Saber como estruturar a aprendizagem competitiva, individual, ou cooperativa
dos alunos, é um dos aspectos mais importantes do ensino. Tal como
sugerido por Johnson & Johnson (1994), a decisão deve ser tomada
cautelosamente, de acordo com os seguintes critérios:
1. Quais são os objectivos da lição e da tarefa de
instrução que visa atingi-los?
2. Quão importante é o objectivo da aprendizagem para os
alunos?
3. Que inter-acção professor-aluno é necessária?
Que assistência e orientação do professor precisam
os estudantes para completar a tarefa?
4. Que inter-acção aluno-aluno é necessária?
Que assistência e orientação de colegas precisam os
alunos para completar a terefa?
5. Quais são as expectativas do alunos no papel que desempenham
durante a lição?
6. Como deve ser organizado o espaço de aprendizagem? Para decidir
a abordagem da aprendizagem, ou a combinação das abordagens
da aprendizagem, para utilizar numa aula, os professores devem compreender:
(1) o que são esforços cooperativos, competitivos e individualísticos?
(2) as condições sob as quais essas abordagens são
efectivas; (3) os papeis dos professores e dos alunos na aplicação
dessas abordagens de aprendizagem.
O quadro a seguir ajudá-lo-á a pensar sobre estas questões,
a fim de decidir que abordagens de aprendizagem são mais apropriadas
para as suas aulas:
Quadro 2: Principais componentes de
competição, invidualismo, e cooperação apropriados
|
COMPETIÇÃO
APROPRIADA
|
INDIVIDUALIZAÇÃO
APROPRIADA
|
COOPERAÇÃO
APROPRIADA
|
Tipo
de
actividade
|
Prática, conhecimento,
recordação e revisão de capacidades
A tarefa é clara, com a especificação
de regras para a competição
|
Aquisição de abilidades e
conhecimentos simples.
A tarefa é clara e o omportamento é especificado
a fim de evitar confusão, e necessidade para ajuda
extra.
|
Qualquer tarefa de instrução. Quanto mais conceitual
e complexa for a tarefa, maior é a cooperação.
|
|
Percepção da importância do objectivo
|
A meta não é concebida como sendo de grande importância
para os alunos, e eles podem aceitar perder ou ganhar
|
A meta é considerada importante para todos os alunos;
os alunos procuram tarefas que sejam úteis e relevantes,
se cada um deles espera realizar o seu objectivo.
|
A meta é concebida como importante para todos os alunos.
|
|
Inter-acção
Professor-aluno
|
O professor é tido como constituindo a
principal fonte de assistência, reforço e apoio.
O profes sor está disponível para perguntas e
esclareci-mento das regras. O professor arbitra deferendos,
julga a correcção das respostas e retribui os
vencedores.
|
O professor é tido como a principal fonte de assistência,
reforço e apoio.
|
O professor acompanha e intervem em grupos de Aprendizagem
para ensinar habilidades cooperativas.
|
|
Inter-acção
aluno-aluno
|
Observar outros alunos num grupo.
Alguma conversa entre alunos. Alunos agrupados em grupos homogéneos
para garantir igual portunidade de vencer.
|
Nenhuma, os alunos traba- lham sozinhos
com pouca ou nenhuma inter-acção com os colegas
da turma. |
Prolongada e intensa inter-acção
entre os alunos, ajudar e artilhar, acompanhamento de colegas,
prática oral de materiais em estudo e apoio e encorajamento
gerais. |
|
Expectativa
dos alunos
|
Revisão de material
anteriormente aprendido
Ter uma oportunidade
igual de ganhar
Devirtir-se com a activi-dade, ganhar ou perder
Seguir as regras |
Cada aluno espera:
Ser deixado sózinho
Trabalhar ao seu próprio passo
Assumir uma parte importan- te da responsabilidade
na conclusão da tarefa
|
Grupo a ser vitorioso
Todos os membros contribuem para o êxito
Inter-acção positiva entre os membros do
grupo
Todos os membros dominam o material atribuído |
Arranjo do
espaço de
aprendizagem
|
alunos organizados em Grupos de três ou
mais
|
Carteiras/lugares separados com tanto espaço
possível entre alunos.
|
Grupos pequenos |
|
5.1: Métodos e actividades de ensino:
Alguns métodos e actividades de ensino são particularmente
úteis na estruturação de esforços competitivos,
individualizados e cooperativos de aprendizagem. Estes incluem:
1. Trabalho em grupo.
2. Competição inter-grupos.
3. Trabalho individualizado
4. Aprendizagem activa:
| |
Demostração, experiência
e observação
Trabalho de projecto
Papel a desempenhar e drama
Contar história
Jogos
Canções e danças
Circular |
5. Perguntas e respostas
6. Utilização de livros.
Trabalho em Grupo: Cada criança
que se matricula na escola é parte de várias e diferentes
comunidades. Por exemplo, cada uma delas pode ser membro de uma família,
uma base cultural e étnica e/ou uma religião. Ao longo do
tempo, as crianças podem gozar dos benefícios de se juntarem
a mais uma comunidade - a comunidade do seu grupo de aprendizagem. Através
do método de trabalho em grupo ou de aprendizagem cooperativa,
os professores tentam criar um sentido de comunidade e de pertença
entre as crianças. Criando um sentido de comunidade, proporciona
às crianças habilidades e uma base que lhes preparará
para a vida e o trabalho no futuro, como membros de famílias e
de outras comunidades na sociedade.
A turma inteira contitui um grupo, e é útil saber como
utilizar esse grupo de forma mais eficaz. As turmas podem variar no seu
volume, de alguns alunos para, por vezes, mais de 100. Em turmas grandes,
é difícil prestar atenção individual a cada
criança. Além do mais, as pessoas tendem a comportar-se
diferente quando estão em grupos grandes, em comparação
com situações em que se encontram em pequenos grupos. Por
exemplo, as crianças tímidas podem ser menos susceptíveis
de fazer perguntas, prática, e a aplicar o que aprendem num grupo
maior, enquanto que as crianças avançadas podem sentir-se
cansadas e frustradas quando tiverem que esperar pelas outras. O trabalho
em grupo ajuda permitir a cada criança ganhar prática e
atenção adequadas através de cooperação
com os seus colegas.
SUGESTÕES PRÁTICAS:
Algumas formas de dividir as crianças em grupos.
Agrupar crianças amigas Isto
é por vezes útil em permitir as crianças desenvolver
as suas relações sociais e a ajudar umas às outras.
É particularmente no princípio, quando as crianças
podem sentir-se sós e perdidas. Os alunos podem julgar mais fácil
exprimir-se quando estão juntos num pequeno grupo, lendo ou quando
estão a escrever exercícios que deverão ser avaliados
mais tarde. É importante que os materiais de instrução,
tais como livros e manuais de exercício, forem disponibilizados
a todos os alunos. Aprendizagem activa. As crianças aprendem melhor
quando são participantes activas no processo de aprendizagem, em
vez de ser receptora passivas de informação. Neste contexto,
o papel do professor é o de facilitar a aprendizagem através
de actividades que irão ajudar as crianças a praticar habilidades
necessárias na disciplina. Tais actividades podem incluir: a descoberta
e observação, a encenação e drama, contar
histórias, jogos, canções e danças.
Demonstrações, experiências
e observação: Algumas disciplinas, tais como
as Ciências Naturais e a Geografia devem-se a demonstrações
e experiências. As demonstrações são normalmente
feitas pelo professor. As experiências podem também ser feitas
pelo professor a título de demonstração, mas muitas
vezes as próprias crianças realizam experiências ou
individualmente, ou em grupos. A demonstração e as experiências
vão de par em par com a observação, o que significa
olhar para as coisas atentamente e registar o que se vê. Uma experiência,
demonstração ou observação pode ajudar as
crianças a desenvolverem capacidades científicas e a aumentarem
o seu interesse pela aprendizagem.
ESTUDO DE CASO : Experiências
e observação numa aula de ciências. As plantas proporcionam
possibilidades infinitas, tanto para demonstrações, observações
e experiências. Por exemplo, pode experimentar com plantas diferentes,
colocando uma na escuridão e uma outra à luz do sol, ou
colocando diferentes tipos e quantidades de adubos em plantas diferentes.
A plantação de sementes em diferentes tipos de solos é
também uma experiência interessante. A medição
e o registo do crescimento de uma planta normalmente proporciona uma experiência
de aprendizagem na matemática e nas ciências.
Trabalho de Projecto: O trabalho de
projecto é uma boa forma de permitir as crianças desenvolver
os seus próprios interesses, a trabalhar em grupos e a aprender independentemente.
Este pode ajudar a desenvolver capacidades de investigação
e de análise. O trabalho de projecto que pode ser feito em qualquer
espaço de aprendizagem, inclui:
| |
Entrevista com os pais e outras pessoas na comunidade;
Estudos da área vizinha (farmas, florestas, desertos,
rios, oceano), ou
Um boletim informativo da turma onde cada aluno ou grupo é
responsável por diferentes tarefas |
Tendo em conta que projectos são trabalhos originais e criativos,
eles podem levar muito tempo. Geralmente, é suficiente fazer um
projecto por período, dedicando algumas horas por semana ao projecto.
Papel a desempenhar e drama: A encenação
como um modelo de aprendizagem tem raízes nas dimensões
de educação tanto pessoais, como sociais (Joice & Wells,
1996). Tenta ajudar pessoas individuais a encontrar significado pessoal
no seio dos seus mundos sociais e resolver dilemas sociais com a assistência
do grupo social. Permite aos indivíduos trabalhar em conjunto na
análise de situações sociais e no desenvolvimento
de uma forma acordada para fazer face a essas situações.
Ao seu nível mais simples, a encenação é
uma forma para fazer face a problemas através da acção
- um problema é identificado, encenado e discutido. Alguns alunos
podem encenar, enquando que outros observam. Tal como indicado por Joice
e Wells (1996), o processo de encenação proporciona um exemplo
livre do comportamento humano que permite aos alunos: (1) explorar os
seus sentimentos; (2) saber o íntimo das suas atitudes, seus valores
e suas percepções; (3) desenvolver as suas capacidades de
solução de problemas; e (4) explorar a disciplina de forma
variadas.
A encenação, enquando um método de ensino e aprendizagem,
é particularmente apropriada em situações emergência
em que as crianças podem experiementar sentimentos de ansiedade
e desespero. A encenação enfatiza não só o
conteúdo intelectual, mas também aspectos emocionais da
vida quotidiana. Ela proporciona uma possibilidade para explorar os sentimentos
dos alunos, que podem reconhecer, compreender e talvez libertar. Vários
tipos de problemas podem ser explorados através da encenação,
incluindo:
7. Dilemas individuais. Estes podem ocorrer quando um aluno estiver perante
dois valores diferentes ou entre os seus próprios interesses e
os interesses dos outros. A encenação faz com que este dilema
seja acessível às crianças e ajuda-as a compreenderem
porque é que ocorre e o que fazer com o mesmo.
8. Conflitos inter-pessoais. Uma grande aplicação da encenação
é revelar conflitos entre as pessoas para que os alunos possam
encontrar técnicas para os ultrapassar.
9. Relações inter-grupos. Problemas inter-grupos decorrentes
de situações técnicas, raciais, ou culturais, ou
de convicções autoritárias, podem ser explorados
através da encenação. Neste contexto, a encenação
pode trazer ao de leve estereótipos e prejuízos, e ajudam
os alunos a compreenderem as razões de situações
de conflito.
10. Problemas históricos ou contemporânneos. Estes incluem
situações críticas/de emergência no passado,
ou no presente, que influenciam as vidas pessoais das crianças.
Tal como sugerido por Shaftels (1967), a actividade da encenação
consiste dos principais nove passos que se seguem: (1) Fazer o aquecimento
do grupo; (2) Seleccionar participantes; (3) Definir o panorama; (4) Preparar
observadores; (5) Encenar; (6) Discutir e avaliar; (7) re-encenação;
(8) Discutir e avaliar; e (9) Partilhar experiências e generalizar.
Cada um desses passos tem uma finalidade específica que contribui
para focar a actividade da aprendizagem. Juntos, eles garantem que uma
linha de pensamento é seguida por toda a complexidade de actividades,
que os alunos estejam preparados nas suas funções, que os
objectivos para a encenação sejam identificados e que a
discussão subsequente proporcione uma conclusão significativa.
Estas três fases e actividades são resumidas no guia da encenação
na página seguinte.
SUGESTÕES PRÁTICAS: Guia
de Encenação
Fase 1: Aquecimento do Grupo. Identificar ou introduzir
problemas: Explicite o problema, interprete a história do problema,
explore questões e expllique a encenação.
Fase 2: Seleccionar participantes. Analise os papeis, seleccione
os encenadores, seleccione os observadores.
Fase 3: Estabelecer o panorama. Defina a linha de acção,
volte a indicar os papeis a desempenhar, discuta a situação
do problema.
Fase 4: Preparar os observadores. Decida o que procurar.
Atribua tarefas aos observadores.
Fase 5: Encenação. Inicie a encenação.
Mantenha a encenação. Interompa a encenação.
Fase 6: Discuta e avalie. Reveja a acção da
encenação (eventos). Discuta o principal foco (Foi realista?)
Desenvolva a próxima cena.
Fase 7: Reencenação. Faça encenações
revistas. Sugira os passos seguintes ou alternativas de comportamento.
Fase 8: Discuta e avalie. À semelhança da
fase 6.
Fase 9: Partilhe experiências e generalize. Relacione
situações de problemas a experiências reais e problemas
da actualidade. Explore princípios gerais de comportamento.
De: Joice & Wells, 1996
| A encenação, particularmente a mudança
do papel a desempenhar, é apropriada para explorar questões
do género na turma. Quando os rapazes assumem os papéis
das raparigas e as raparigas assumem os papéis dos rapazes,
novos conceitos sobre diferenças no género podem ser
ganho. |
Considerações
do Género
|
Contar histórias. Contar histórias é uma
experiência de intercâmbio. Estabelece um relacionamento caloroso
entre a pessoa que conta e os que ouvem, aproximando-os mais uns aos outros:
adultos às crianças, crianças às crianças.
Em situações de emergência, onde as crianças
podem estar separadas dos seus pais e familiares, as histórias
podem tocar às crianças, reduzindo a sua alienação
e ansiedade, e trazendo um sentido de pertença. Além disso,
as crianças a ouvir histórias durante a vida escolar pode
(1) reforçar os seus impulsos criativos, particularmente na área
da escrita; (2) expandir os seus interesses de leitura; e (3) manter viva
a herança cultural das populações.
Contar histórias, como um método de ensino, é uma
forma perfeita de envolver os pais e outros membros da comunidade na educação
dos seus filhos. Eles podem trocar histórias sobre o seu passado,
a cultura local e eventos sociais. As suas histórias podem ser
uma mistura de legendas, mitologias, lendas, ou contos pessoais. Quando
os pais e outros membros da comunidade estiverem concernentes, interessados
e envolvidos na aprendizagem, eles emitem uma mensagem poderosa aos seus
filhos quanto à educação. Eles inspiram as crianças.
Crianças de diferentes idades podem ser associadas a histórias,
e a educação deve combinar aspectos que atraiem todos os
grupos de ouvintes. Por exemplo, as crianças mais novas gostam
de acção, enquanto que as mais velhas gostam de subtilezas
de humor e de inter-acção entre os intervenientes.
Jogos. As crianças devem dominar um grande número
de habilidades nas fases iniciais. Tal como foi descoberto na investigação
sobre a metodologia de ensino, tanto na turma, como na ajuda às
crianças uma-por-uma (Kaye, 1991), fazer jogos pode ser uma ajuda
efectiva para as crianças aprenderem e praticarem quase todas as
habilidades que são necessárias na escola. Os jogos podem
estimular a capacidade da criança de recolher informações,
aprender novas palavras, ler, escrever, ou contar. Os jogos podem também
promover a curiosidade intelectual e o pensamento criativo na criança.
Ao mesmo tempo, os jogos são divertidos enquanto actividades de
aprendizagem. Quando as crianças se sentam para fazer um jogo interessante,
elas relaxam-se e concentram-se ao mesmo tempo - relaxam-se porque o jogo
é interessante, e concentram-se porque o jogo representa um desafio
(Kaye, 1991). Esta combinação cria um quadro perfeito de
mentalidade para aprendizagem. Há várias ocasiões
para os professores utilizarem actividades de jogo de 10 minutos na turma.
Por exemplo, os jogos podem ser utilizados:
1. para "aquecer" a turma no início do dia;
2. para introduzir novos tópicos;
3. para modelos e prática; ou
4. para rever tópicos anteriores.
Será capaz de encontrar exemplos de jogos concebidos para a leitura,
a redacção e a contagem na Parte 5 no Guia.
Canções e Danças. As canções e
as danças têm um valor educacional porque proporcionam uma
possibilidade para as crianças aprenderem sobre os valores culturais
da sua comunidade. Embora seja difícil reservar tempo especial para
canções e danças durante as horas das aulas, pode efectivamente
introduzí-las como exercícios de aquecimento no início
do dia.
O género é um importante
elemento de cultura e é, muitas vezes
Um incentivo para a expressão artística. As canções
e danças
Representam uma oportunidade para as crianças exprimirem as
Suas esperanças, os seus receios, a sua ignorância e
os seus
Conhecimentos mútuos. Tanto os alunos, como os professores,
Podem explorar e exprimir ideias sobre o género, utilizando
Significados criativos e artísticos, tais como canções
e danças. |
Considerações
do Género
|
Circular. Circular é um método de ensino que pode
ajudá-lo a envolver todos os alunos numa actividade de aprendizagem.
Cada crianças num grupo, ou numa turma, tem a sua vez para comentar
num tópico, acrescentar ideias e factos nas respostas às
perguntas, ou desenvolver narração de uma história.
Cada criança pode falar apenas uma em cada vez. O professor define
quanto tempo é que cada contribuição deve levar,
à medida em que o exercício se inicia e faz uma reacção
se o processo estiver fora do controlo. Esse método de ensino e
aprendizagem proporciona oportunidades iguais e, em grupos mistos, ajuda
as crianças a prever o que será dito por outros alunos (O'Gara,
1996).
?Fazer Perguntas. Fazer perguntas é
o coração do ensino. Apresentar boas perguntas é uma
das formas mais efectivas de estimular o pensamento e a aprendizagem. Esta
é uma habilidade que todos os professores devem desenvolver. Garanta
que seja capaz de permitir que cada criança responda as perguntas,
ao invés de apenas ouvir as mais rápidos e as mais atrevidas.
Pode fazer isso: (1) permitindo que as crianças escrevam as suas
respostas individualmente, de forma a que todas elas tenham tempo suficiente
para pensar e dar uma resposta; ou (2) utilizando trabalho em grupo para
permitir que toda a criança contribua no seio de um grupo pequeno
e amistoso. Isto proporcionará uma possibilidade para toda a criança
contribuir na discussão. A fim de reduzir a intervenção
do professor e promover participação dos alunos, pode aplicar
as seguintes técnicas:
| |
Chamar os não-voluntários.
Quando os alunos sabem que são poucos susceptíveis de
ser chamados, a menos que levantem os braços, eles podem continuar
a mantê-los em baixo. Os poucos alunos que levantam os braços
tendem a monopolisar a experiência. Aqui, pode simplesmente
anunciar que todos serão chamados, ou utilizar a Passagem em
Volta para facilitar a participação activa dos que não
se apresentam como voluntários.
Reorientação. A
sala do professor pode ser minimizada pelas perguntas que elicitam
várias respostas. Pode instruir, "esta pergunta tem várias
partes. Favor dar apenas uma resposta". A reorientação
tem uma vantagem adicional de encorajar os alunos a responderem-se
uns aos outros.
Faça pausa por um tempo adequado.
O professor deve pausar durante alguns segundos depois de fazer a
perguntar e antes de chamar alguém para responde-la. Fazendo
pausa, dá a cada aluno tempo para organizar o seu pensamento
para uma resposta. Deve também notar que alguns alunos precisam
de mais tempo para expressar do que outros. Se interromper um aluno
antes de concluir, os alunos tímidos tendem a se sentirem desencorajados.
Abrir-se a respostas inesperadas.
Por vezes pode ouvir respostas inesperadas dos alunos, e outras vezes,
isso pode não acontecer. Quando ouvir uma resposta que não
esperava, ou que julga ser inaceitável, em vez de dizer "não,
isto é errado", tente esclarecer o que o aluno quer dizer. |
SUGESTÕES PRÁTICAS: Diferentes Tipos de Perguntas:
| |
Repetição/aprendizagem
de rotina. Pedir que as crianças repitam o que já
aprenderam. A isso chama-se de aprendizagem de rotina, e é
importante para se recordar de fórmulas, tabuadas e regras.
Repetir. Pedir que as crianças
repitam uma história que ouviram por suas próprias palavras.
Esta é uma melhor forma de ensino e aprendizagem, do que uma
mera aprendizagem de rotina.
Resumo. Pedir que as crianças
resumam os principais pontos da matéria aprendida.
Explicação. É
importante fazer perguntas como "como", "porque",
"quando", "o que é" e "por quem",
na turma. Depois de saber que os alunos compreenderam os factos essenciais
da matéria aprendida, pode fazer perguntar para avaliar a sua
compreensão. Essas perguntas pedem os alunos a explicarem as
informações, os factos relacionados, as generalizações
e as definições.
Expressão. Pedir que as
crianças contem originais ou que que exprimam as suas próprias
ideias. Isso é mais fácil na língua materna,
ou numa língua que a criança já conhece bem.
Análise. Analisar conhecimento
que já foi dado. Muitos exercícios exigem análise,
por exemplo a divisão de objectos em categorias tais como duros/moles,
grande/pequeno, forte/fraco, mamíferos/insectos/répteis.
O processo de análise envolve separar informação
e criar relacionamentos a fim de descobrir a sua estrutura básica,
ou o seu significado subjacente. A análise inclui definir presunções,
motivos e implicações. Os alunos podem identificar questões
e chegar a conclusões com base em determinados factos.
Solução de problemas.
A solução de problemas pode ser introduzida proporcionando
um problema e vendo como as crianças podem resolver este problema.
Um exemplo é ver como proporcionar acomodação
habitacional própria para condições climatéricas
diferentes: um clima quente contra um clima muito frio.; a necessidade
para raios solares e ar, ao mesmo tempo que se evita o vento e a chuva.
Ou como manter a casa limpa.
Avaliação. Perguntas
sobre avaliação apelam para comentários envolvendo
julgamentos, opiniões, reacções pessoais e crítica.
Perguntas tais como "Na sua opinião ...?" "Pensa
que...?" "Como reagiria...?" Os alunos são solicitados
a darem a sua opinião e, em seguida, a darem uma base para
os seus pareceres a essas perguntas. Não há certo ou
errado. |
5.2: Aplicações de Ensino e Aprendizagem:
A utilização efectiva de aplicações de ensino
e aprendizagem é importante em garantir que as experiências
de aprendizagem dos alunos sejam divertidas, inter-activas e significativa.
Quando estiver a planificar e preparar as suas lições, procure
por recursos à sua volta que pode utilizar ou criar para tornar
a aprendizagem mais significativa e mais divertida. Por exemplo, a natureza
proporciona inúmeras aplicações de aprendizagem e
ensino, tais como o solo, a areia, sementes, plantas, folhas, paus, pedras,
insectos e água. A casa proporciona várias outras fontes
de materiais de aprendizagem e ensino, tais como açucar, sal, óleo
e detergentes. Pode também utilizar fotografias, mapas e quadro,
como aplicações de aprendizagem e ensino nas suas aulas.
Fotografias. Uma colecção de fotografias é
uma importante e poderosa aplicação de ensino e aprendizagem.
Hoje, é possível fazer-se uma boa colecção
a um custo mínimo. Pode fazer uma boa colecção de
fotografias, a partir de jornais, revistas e brochuras. Se estiver a utilizar
fotografias, tente engajar os alunos o mais activamente possível.
Uma boa apresentação de perguntar irá estimular interesse,
aumentar a capacidade de observação e levar a raciocínio.
SUGESTÕES PRÁTICAS: Algumas
formas de utilizar fotografias nas turmas.
| |
Utilize fotografias para
ensinar a leitura, particularmente ao nível de principiantes.
Normalmente, pode escolher fotografias em relação às
quais as crianças estão interessadas (avião,
mãe, pai, laranja) e escreva a palavra próximo da fotografia,
ou num papel separado, para que a criança possa identificar
a fotografia à palavra.
Utilize as fotografias para descrição
e discussão. As crianças podem descrever o que viram,
o significado da fotografia, quem ou o que está na fotografia,
porque é que é importante, como podia ser mudada, etc.
Utilize as fotografias para a contagem,
a adição, subtracção, divisão e
multiplicação. Existem objectos infindos a serem utilizados
na matemática, sejam galinhas, árvores, pessoas ou outras
coisas.
Utilize fotografias para jogos. Vários
jogos diferentes envolvendo a matemática, a soletração,
a leitura, a selecção e outras actividades, podem ser
feitos com fotografias. Por exemplo, fotografias de mamíferos
ou aves podem ser agrupados. |
Quadro. Um quadro efectivo deve ser simples. Ele exprime um pensamento
de forma tão clara que é compreendido de imediato. As cores
devem ser utilizadas efectivamente para pôr em realce os pontos importantes.
Tente exprimir o conceito de forma clara e evitar uma massa confusa e congestionada
de mensagens. Bons quadro podem ser feitos em cartões nos quais os
produtos são empacotados. Os lápis de côr e feltros
são ideais, mas giz coloridos e tinta podem também ser muito
úteis. As palavras escritas no quadro devem ser suficientemente grandes
para todos os alunos poderem ler sem qualquer dificuldade de visão.
Os alunos que se sentam no fundo da sala devem ser capazes de ler o que
está escrito no quadro se este for apresentado à frente. Deixar
os mapas nas paredes, é uma boa forma de encorajar a revisão
do materiral aprendido pelos alunos, bem como de decorar e fazer brilhar
a turma. Quadro preto. A utilização efectiva do quadro
preto é uma habilidade que todos os professores devem aprender. Todos
os trabalhos no quadro preto devem ser visível para todos os alunos,
se este for utilizado como um ponto focal para as aulas. Pode também
querer utilizar cores diferentes de giz no quadro, para enfatizar o que
está a ser aprendido. Pode também pensar sobre diferentes
formas de utilizar o espaço do quadro preto. Por exemplo, pode escrever
a seguinte informação, regularmente:
| |
Data:
Objectivo do dia;
Ditados e provérbios astutos; e
Notícias, tais como datas de nascimento ou guias de
cuidados de saúde. |
Colecção de materiais de leitura. O material de leitura
desempenha um papel importante no ensino. Mesmo que as crianças não
tiverem alcançado o nível em que podem ler, encontrarão
muito gozo e benefício quando estiverem a olhar as fotografias. O
que faz se não tiver livros? Pode escrever alguns livros, por si
próprio e pedir que os pais, os membros da comunidade e as próprias
crianças escrevam outros. Algumas ideias para escrever as suas próprias
ideias de leitura e livros incluem:
| |
Histórias sobre
as crianças, escritas por elas próprias;
História e geometria da zona,
escritas pelos pais, avós e outros membros da comunidade;
Canções cantadas por membros
da comunidade, tais como folclóricos, cançoes de trabalho,
colheitas e celebração;
Poemas tradicionais e poemas ouvidas
pela rádio;
Notícias locais; e
Histórias científicas. |
Para as classes mais avançadas, pode utilizar histórias
tiradas de nornais. Pode utilizar recortes de jornais. Por exemplo, publicidades,
histórias e reportagens podem ser utilizados como materiais de
leitura. Se tiver uma duplicadora, pode fazer cópias. Se não,
o livro pode ser escrito num bom papel, ou numa cartolina, e agrafado
em forma de livro. Pode, brevemente, recolher um mínuto de 50 cartões
de leitura ou livros para a sua aula.
Manuais. Um manual é uma parte importante que os professores
podem utilizar. Todavia, deve evitar uma utilização não
apropriada do manual, tal como leitura regular e memorização
do texto. Esta prática pode ser desencorajadora e não inspiradora
para as crianças primárias. Lembre-se que os manuais não
e não podem substituí-lo enquanto professor.
SUGESTÕES PRÁTICAS: Algumas
formas de Utilizar o Manual:
| |
Um bom manual dar-lhe-á
uma cobertura lógica do conhecimento e das capacidades que
devem ser ensinadas e aprendidas, para poder utilizar isso a fim de
garantir uma cobertura minuciosa das áreas. Utilize o manual
como um livro de referência e como um guião para verificar
se terá coberto a área de forma adequada.
Tome alguns dos exemplos e exercícios
do manual e aplique-os às condições locais. Por
exemplo, se estiver a fazer fracções, como é
que isso podia ser utilizado na família e na comunidade? O
que é dividido na família (Alimentos? Dinheiro? Terras?)
Se a história for sobre a família, permita que as crianças
falem sobre as suas famílias. Se a história for sobre
animais, as crianças devem falar sobre os animais das suas
casas e dos seus campos.
Faça alguns dos exercícios
de um livro oralmente e, em seguida, seleccione algumas crianças
para escrever essas histórias no quadro.
Dramatize algumas das histórias
do manual para trazê-las à vida. Isto pode ser feito
através de uma narração excitante pelo professor,
ou através da criação de uma encenação
com as crianças. Acrescentar a música e a dança
pode tornar isso mais excitante e interessante.
Utilize o manual para a revisão
de capacidades que terão sido ensinadas. |
Mapas. Mapas adequados são muito úteis no ensino.
O atlas proporciona um esqueleto de estudo geográfico. Você,
por sua vez, dá-lhe a vida. Mapas de parede são importantes
instrumentos de ensino porque toda a turma pode olhar o mapa e dirigir
a sua atenção a qualquer característica que desejar
enfatizar. Pode desenhar os seus próprios mapas na parede se estes
não estiverem disponíveis. De forma geral, mapas de parede
podem incluir o continente e o seu país. Pode também querer
fazer um mapa do mundo. As crianças podem fazer mapas das suas
aldeias ou da sua região, o que também pode ser utilizado
como mapas de parede.
Rádio e cassetes audio. Se lições radiodifundidas
forem disponíveis na sua comunidade, muitas vezes a radio proporciona
boas aulas suplementares ao seu ensino. O professor e os seus alunos devem
estar adequadamente preparados antes do início da difusão.
O trabalho de seguimento depois da lição é igualmente
importante.
SUGESTÕES PRÁTICAS: Algumas
formas de utilizar cassetes audio nas aulas.
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Porque as crianças
gostam de aprender canções, podem ser uma boa forma
de linguagem de aprendizagem, particularmente como segunda língua.
Grave a pronuncia do professor e das
crianças. Isto permite que as crianças corrijam a sua
pronuncia, por exemplo quando estiverem a aprender palavras como "hit",
"heat" e ""hurt" em inglês.
Grave diálogos, entrevistas e
debates na turma, como se fossem para radiodifusão.
Utilize declarações e histórias
gravadas da rádio em lições de língua,
por exemplo para a audição e a compreensão. |
Modelos. Para várias disciplinas é útil utilizar
modelos. Modelos simples podem ser constituídos a partir de materiais
em papel, madeira, plastecina, plástico, metal, ou quaisquer outros
para demonstrar esferas, figuras e volume. A plastecina é facilmente
tida como material de utilização. Pode utilizá-la
para fazer modelos da sua geografia, ciências, ou outras lições
de arte. Vários modelos científicos podem ser feitos com
latas e objectos plásticos. Por exemplo, um modelo mostrando como
purificar a água pode ser feito filtros de areia, recipientes e
garrafas plásticas.
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